Quinta-feira 17 setembro 2026 · O jornal do JJBENFRPT

Resultados ADCC 2026: Pena, Crevar e todos os campeões

Duas primeiras vezes históricas, cinco ouros brasileiros, uma família inteira nos tatames, Gordon Ryan na plateia e uma Tauron Arena em chamas pelo título polonês: aqui estão os resultados ADCC 2026, com os nove campeões coroados em Cracóvia nos dias 12 e 13 de setembro, e os bastidores do fim de semana.

Os resultados ADCC 2026 ficarão como os de uma troca de guarda. O primeiro mundial do ADCC realizado na Europa desde 2017 coroou nove campeões, sete deles pela primeira vez, e escreveu duas linhas inéditas na história do torneio: Felipe Pena virou o primeiro atleta a vencer o absoluto duas vezes, e Helena Crevar, aos 19 anos, a campeã mais jovem que o ADCC já teve. Na linha de largada, só três dos nove campeões de 2024 defendiam a coroa: os comentaristas do FloGrappling avisaram desde a abertura, o torneio estava escancarado. E assim ficou até o fim, numa arena de Cracóvia que tremeu como nunca pelo seu campeão, Pawel Jaworski. Categoria por categoria, e depois nos bastidores, veja o que aconteceu.

A galeria completa do ADCC 2026

CategoriaCampeãoFinalistaVeredito
-66 kgKennedy Maciel (Brasil)Gavin CorbeDecisão após 28 minutos
-77 kgMagomed Dzharbaev (Rússia)PJ BarchDecisão dos árbitros
-88 kgPawel Jaworski (Polônia)Marlon TajikDecisão, 0 a 0 no placar
-99 kgLuke Griffith (África do Sul)Kaynan DuarteFinalização
+99 kgVictor Hugo (Brasil)Josh SaundersFinalização
-55 kg FJasmine Rocha (Brasil)Ana RodriguesFinalização
-65 kg FAna Carolina Vieira (Brasil)Sarah GalvãoMata-leão, dupla prorrogação
+65 kg FHelena Crevar (EUA)Anabel LopezFinalização
AbsolutoFelipe Pena (Brasil)Roosevelt SousaMata-leão (10:03)
SuperfightYuri Simoes (Brasil)Kaynan DuarteFinalização (22:26)

As duas linhas marcadas em vermelho são as que fazem história: um segundo absoluto para Pena, e um superfight que custou caro a Kaynan Duarte, já batido na final dos -99 kg poucas horas antes.

NaçãoTítulosCampeões
Brasil5Maciel, Victor Hugo, Rocha, Vieira, Pena
Estados Unidos1Helena Crevar
Rússia1Magomed Dzharbaev
Polônia1Pawel Jaworski
África do Sul1Luke Griffith

Por continente, somando todas as medalhas, a América do Sul teve nove, a Europa oito (dois ouros, sua melhor campanha na história do torneio), a América do Norte seis, a Oceania duas e a África duas. Pela primeira vez, a Europa respira na nuca do Brasil e dos vizinhos.

Felipe Pena, o homem que venceu o absoluto duas vezes

Já no sábado, Pena tinha dado o tom: duas rodadas, duas finalizações, incluindo uma quarta de final aberta em 9 a 0 e fechada com mata-leão, com uma passagem de guarda de três pontos que os comentaristas apontaram como a virada da luta. Depois Josh Saunders o parou na semifinal dos +99 kg, e o veterano de Belo Horizonte parecia sair do torneio pela porta dos fundos.

No domingo, respondeu à história. Vitória nos pontos sobre Eoghan O’Flanagan, finalizações sobre Francis Pana e Ruslan Abdulaev, e uma final fechada com mata-leão em Roosevelt Sousa aos 10:03. Em quinze edições, ninguém tinha vencido o absoluto duas vezes.

A campanha diz tudo sobre o que é o absoluto do ADCC: um torneio dentro do torneio, disputado sobre a fadiga acumulada, em que o tamanho importa menos que a gestão de energia e o senso de oportunidade. Pena, que já tinha batido Gordon Ryan no absoluto de 2017, fecha um ciclo que nenhum dos seus rivais diretos, a começar pelo próprio Ryan, jamais fechou. Ryan, aliás, estava em Cracóvia, mas sentado à beira do tatame ao lado de John Danaher: as câmeras o mostraram desde as quartas de final, espectador de um torneio que dominou por oito anos.

Helena Crevar, campeã aos 19, e o bicampeonato de Ana Carolina Vieira

Cabeça de chave dos +65 kg, a americana Helena Crevar finalizou todas as adversárias até Anabel Lopez na final, tornando-se aos 19 anos a campeã mais jovem da história do ADCC. Desde o sábado, a arena aplaudia cada entrada dela, e seus ataques de tornozelo a partir da guarda deram o tom. Quatro anos depois do recorde de precocidade de Kade Ruotolo entre os homens, a geração criada nos tatames desde a infância tem agora seu rosto feminino.

Os outros dois títulos femininos ficaram no Brasil. Jasmine Rocha finalizou Ana Rodrigues nos -55 kg, e Ana Carolina Vieira, 32 anos, pentacampeã mundial da IBJJF, manteve a coroa dos -65 kg com um mata-leão em Sarah Galvão, de 20 anos, na dupla prorrogação. Vieira é a primeira mulher a emendar dois títulos seguidos desde Gabi Garcia em 2017 e 2019.

Dois nomes dessa final dos -65 kg contam o ADCC como um assunto de família: Sarah Galvão é filha de André Galvão, por muito tempo rei do superfight, e Jasmine Rocha é irmã de Achilles e filha de Wagner Rocha. No sábado, os três Rocha venceram a primeira rodada, diante de um público que descobria que uma linhagem inteira podia segurar uma chave.

As categorias masculinas: quatro nações, cinco novos campeões

Nos -66 kg, Kennedy Maciel, cabeça de chave número 13, primeiro sobreviveu a uma guilhotina de Fabricio Andre nas quartas, derrubou o favorito Diego Pato na semifinal e depois desgastou Gavin Corbe numa maratona de 28 minutos na final. Filho de Rubens “Cobrinha” Charles, campeão da mesma categoria em 2013, 2015 e 2017, ele assina o primeiro título do ADCC passado de pai para filho. Nos -77 kg, o russo Magomed Dzharbaev, parceiro diário de treino de Islam Makhachev, primeiro apagou o polonês Adam Szczecinski com uma queda na prorrogação e depois levou a decisão dos árbitros sobre PJ Barch.

O momento mais barulhento do fim de semana foi a final dos -88 kg: Pawel Jaworski, empurrado por toda a Tauron Arena, venceu o sueco Marlon Tajik na decisão depois de um 0 a 0 tenso, o único ouro polonês da edição. A Polônia alinhou oito atletas diante do seu público, e os comentaristas tinham previsto “um ano de virada para os grapplers europeus”: Jaworski foi a prova, Szczecinski a promessa.

Nos -99 kg, a surpresa veio do sul-africano Luke Griffith, vice dos +99 kg em 2024, que desceu de categoria. Sua quarta de final contra Stefan Bont resume o ADCC: zero ponto no tempo regulamentar, uma punição por passividade para cada um, e uma queda na prorrogação para avançar. Na final, finalizou o bicampeão de 2024 Kaynan Duarte. Nos +99 kg, Victor Hugo, imperial nas quartas, finalizou Josh Saunders, algoz de Pena na véspera e vencedor de Roosevelt Sousa por 5 a 0 nas quartas. Roberto “Cyborg” Abreu, presente no ADCC desde 2009, parou nas quartas diante de Achilles Rocha, um garoto que o conhece a vida inteira “como um tio”, e que o venceu na base dos scrambles.

Nos bastidores do dia 1

A transmissão de sábado entregou as histórias que a galeria não conta. A primeira rodada foi um festival de finalizações: num único tatame, seis das oito lutas de abertura terminaram antes do tempo, a ponto de os comentaristas descreverem um torneio “diferente de qualquer outro: não importa o que você conquistou em outro lugar, aqui tem que fazer de novo”. As Olimpíadas da finalização, nas palavras deles.

A arena também viu Joslyn Molina, adolescente convidada e competidora mais jovem da história do torneio, inscrita nos -55 kg contra adversárias bem maiores, e cuja agressividade arrastou lutas até a decisão. Maiza Bastos conquistou sua primeira classificação para o dia 2 depois de uma guerra no chão com Valerie Hamilton. E o público polonês, “incrivelmente animado” segundo a transmissão, transformou a Tauron Arena num ginásio que rugiu da primeira à última luta.

Vale notar também, na véspera, o mundial amador do ADCC, um torneio aberto a todos disputado na mesma arena: centenas de grapplers anônimos lutaram nos tatames dos campeões, um formato que o ADCC pretende ampliar para enraizar o evento em cada cidade-sede.

Superfight, os números e as lições

O superfight entre Kaynan Duarte e Yuri Simoes ficou com o segundo, por finalização aos 22:26, numa prorrogação em que Duarte pareceu lesionar o ombro. O fim de semana do brasileiro, bicampeão em 2024, termina assim com duas derrotas em finais, um lembrete brutal do que custa um ciclo de dois anos nesse nível.

Das 103 lutas disputadas fora do absoluto, 50 terminaram em finalização, 48,5 %, com os estrangulamentos pelas costas na frente (19), à frente das chaves de pé retas e dos triângulos (6 cada). A leitura técnica é clara: apesar de alguns títulos arrancados a partir da guarda, o ADCC 2026 confirmou que a luta em pé e os ataques às costas seguem sendo as chaves do mais alto nível. As prorrogações sem pontos, as punições por passividade e as quedas decisivas vistas o fim de semana inteiro são a assinatura de um regulamento único.

Para a grade de leitura completa, da pontuação às prorrogações, nosso guia do ADCC 2026 continua atual.

FAQ: os resultados ADCC 2026 em resumo

Quem venceu o absoluto do ADCC 2026?

Felipe Pena venceu o absoluto do ADCC 2026 finalizando Roosevelt Sousa com um mata-leão na final. Ele é o primeiro atleta da história do torneio a vencer a categoria absoluto duas vezes.

Quem é a campeã mais jovem da história do ADCC?

Helena Crevar, campeã dos +65 kg em Cracóvia em 2026 aos 19 anos, tornou-se a campeã mais jovem da história do ADCC depois de finalizar todas as adversárias.

Quem venceu o superfight do ADCC 2026?

Yuri Simoes venceu Kaynan Duarte por finalização aos 22:26, na prorrogação, no superfight do ADCC 2026 em Cracóvia.

Qual país conquistou mais títulos no ADCC 2026?

O Brasil, com cinco dos nove títulos: Kennedy Maciel, Victor Hugo, Jasmine Rocha, Ana Carolina Vieira e Felipe Pena. Estados Unidos, Rússia, Polônia e África do Sul conquistaram um título cada.

Gordon Ryan competiu no ADCC 2026?

Não. Gordon Ryan não estava inscrito em Cracóvia, mas acompanhou o torneio à beira do tatame ao lado de John Danaher, como a transmissão mostrou desde o primeiro dia.

E agora?

O próximo mundial do ADCC acontece em 2028, já que o torneio segue bienal. Até lá, as seletivas embaralham as cartas, Crevar terá 21 anos, Molina terá crescido e Pena terá um lugar na história para defender. Para conferir se você acompanhou Cracóvia de perto, nosso quiz dos campeões do ADCC espera por você, e para todo o resto, visite a página de quiz do BJJ-Rules.

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