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BJJ Rules – Notícias, histórias & perfis do jiu-jitsu brasileiro BJJ Rules – Notícias, histórias & perfis do jiu-jitsu brasileiro

Le média passionné 100 % jiu-jitsu. Actualités, histoires & portraits du jiu-jitsu brésilien.

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Lista de Técnicas

As técnicas de jiu-jitsu brasileiro são o conjunto de movimentos, posições e finalizações que permitem controlar, finalizar ou neutralizar um adversário usando os princípios de alavanca, pressão e técnica em vez da força bruta.

O repertório técnico do JJB é imenso e está em constante evolução. Das técnicas tradicionais da família Gracie às inovações modernas do jogo de guarda invertida, cada geração traz suas contribuições. Entender essa riqueza técnica é entender a própria filosofia do jiu-jitsu: a inteligência do movimento a serviço da eficiência.

Esta página reúne as técnicas essenciais do jiu-jitsu brasileiro, organizadas por categoria para facilitar seu aprendizado e sua progressão. Seja você um iniciante dominando os fundamentos ou um praticante avançado explorando variações complexas, vai encontrar aqui os pontos de referência para estruturar seu jogo. Para a definição rápida de um termo específico, visite o glossário completo do JJB.


Organização das técnicas: os quatro pilares

O jogo de jiu-jitsu brasileiro se articula em torno de quatro categorias técnicas fundamentais que se encadeiam naturalmente ao longo de uma luta.

1. As posições

As posições são as configurações espaciais entre os dois lutadores. Algumas são dominantes (montada, costas, cem quilos), outras defensivas (guarda), outras neutras (luta em pé, quatro apoios). A capacidade de reconhecer, alcançar e manter as posições dominantes é a base do jiu-jitsu eficiente.

Princípio-chave: No sistema de pontos da IBJJF, as posições dominantes pontuam justamente porque conferem uma vantagem tática decisiva e aumentam significativamente as chances de finalização.

2. As guardas

As guardas são um subconjunto específico de posições em que o praticante no solo usa as pernas para controlar, afastar ou desequilibrar o adversário em pé ou de joelhos. O jiu-jitsu brasileiro revolucionou as artes marciais ao transformar a posição no solo — tradicionalmente desfavorável — em posição ofensiva, graças ao desenvolvimento sofisticado do jogo de guarda.

Princípio-chave: Uma guarda eficiente nunca é passiva. Ela cria ameaças constantes (raspagens, finalizações) que forçam o adversário a reagir e abrem oportunidades de ataque.

3. As finalizações

As finalizações são as técnicas finais que forçam o adversário a desistir (bater) pela dor ou pelo risco iminente de lesão. Elas visam as articulações (chaves de braço, de perna, de ombro) ou as vias respiratórias e a irrigação sanguínea do cérebro (estrangulamentos). Dominar as finalizações é entender a anatomia, os ângulos de pressão e o timing de execução.

Princípio-chave: Uma finalização bem executada deve ser controlada e progressiva. O objetivo nunca é machucar, mas obter a desistência com segurança para os dois praticantes.

4. As transições

As transições são os movimentos que permitem passar de uma posição a outra, escapar de uma posição desfavorável ou criar oportunidades de finalização. As transições incluem as passagens de guarda, as raspagens, as reversões e os encadeamentos técnicos. Um jiu-jitsu fluido se apoia em transições dominadas.

Princípio-chave: As transições são os momentos mais vulneráveis da luta. Quem controla as transições controla o ritmo e dita o rumo do combate.


Técnicas por categoria

🛡️ Posições fundamentais

Montada (Mount)

Posição dominante em que o praticante senta sobre o tronco do adversário, joelhos no chão, controlando o tórax com o peso do corpo. A montada oferece controle máximo e inúmeras opções de finalização (estrangulamentos, chaves de braço). Pontos IBJJF: 4 pontos.

Principais variações:

  • Montada baixa (low mount): mais estável, peso no quadril
  • Montada alta (high mount): joelhos nas axilas, isolando os braços
  • Montada técnica (technical mount): uma perna em pé, controle assimétrico
  • S-mount: posição em S que permite o armlock direto

Pegada das costas (Back control)

A posição mais dominante do jiu-jitsu, em que o praticante está atrás do adversário com os ganchos (pés) inseridos na parte interna das coxas. Essa posição dá acesso direto aos estrangulamentos pelas costas (mata-leão) e neutraliza a maioria das defesas do adversário. Pontos IBJJF: 4 pontos.

Elementos-chave:

  • Ganchos (hooks): pés enganchados na parte interna das coxas
  • Seatbelt grip: controle do tronco com os braços em cinto de segurança
  • Cabeça colada: impedir o adversário de virar

Cem quilos (Side control)

Posição de controle em que o praticante fica perpendicular ao adversário deitado de costas, peito contra peito, com o peso distribuído para imobilizar. O cem quilos é uma posição de transição fundamental rumo à montada, às costas ou às finalizações. Pontos IBJJF: 0 ponto (o cem quilos sozinho não pontua).

Principais variações:

  • Cem quilos clássico: peso máximo sobre o tronco
  • Kesa gatame: controle com o braço sob a cabeça
  • Kesa gatame invertido: controle invertido, de frente para as pernas
  • Joelho na barriga: mobilidade máxima (2 pontos IBJJF)

Norte-sul (North-south)

Posição em que o praticante fica invertido em relação ao adversário, cabeça na direção dos pés, peito contra peito. Posição intermediária muito usada nas transições entre o cem quilos e a montada, com estrangulamentos específicos.

Utilização:

  • Transição para a montada ou para o cem quilos do lado oposto
  • North-south choke (estrangulamento frontal com os braços)
  • Kimura a partir do norte-sul

🌀 As guardas: controlar por baixo

Guarda fechada (Closed guard)

A guarda fechada é a posição fundamental do jiu-jitsu brasileiro, em que o praticante no solo trava as pernas em volta da cintura do adversário. Posição histórica desenvolvida pela família Gracie, oferece controle, segurança e inúmeras opções ofensivas. Essencial para todo iniciante.

Por que começar pela guarda fechada:

  • Controle máximo da distância e da postura do adversário
  • Plataforma estável para aprender as finalizações básicas (triângulo, armlock, omoplata)
  • Defesa sólida que permite se recuperar quando se está cansado

Meia-guarda (Half guard)

Posição em que o praticante no solo controla uma única perna do adversário com as duas pernas. Vista por muito tempo como posição de transição desfavorável, a meia-guarda moderna virou uma guarda ofensiva completa graças às inovações de campeões como Bernardo Faria e Lucas Leite.

Principais utilizações:

  • Recuperação defensiva quando a guarda foi passada
  • Plataforma de raspagens potentes (raspagem de meia-guarda, old school)
  • Ataques às costas (back takes) e finalizações (kimura, guilhotina)

Guarda De la Riva

Guarda aberta assimétrica em que o praticante usa um gancho de perna na parte interna da coxa do adversário para controlar sua base. Criada pelo campeão brasileiro Ricardo De la Riva, essa guarda virou um pilar do jogo moderno, particularmente eficaz contra adversários em pé.

Pontos fortes da De la Riva:

  • Excelente controle direcional: impede a passagem de guarda
  • Acesso a raspagens técnicas (berimbolo, waiter sweep)
  • Transições para as costas

Guarda aranha (Spider guard)

Guarda aberta em que o praticante controla as mangas ou os bíceps do adversário com as mãos, empurrando com os pés nos bíceps ou no quadril. Essa guarda estica o adversário e cria uma distância controlada, ideal para raspagens e triângulos. Era a arma favorita do jovem Leandro Lo antes de ele virar o passador que todos conhecem.

Características:

  • Controle bilateral dos braços do adversário
  • Excelente para quebrar a postura
  • Raspagens de pêndulo (lumberjack sweep, omoplata sweep)
  • Transições para triângulo e omoplata

Guarda borboleta (Butterfly guard)

Guarda sentada em que os pés do praticante ficam em gancho sob as coxas do adversário. Popularizada por Marcelo Garcia, “The King of the Butterfly Guard”, a guarda borboleta privilegia a mobilidade, as raspagens explosivas e as guilhotinas.

Pontos fortes:

  • Mobilidade máxima (a guarda “ativa” por excelência)
  • Raspagens diretas e potentes (butterfly sweep, hook sweep)
  • Excelente para conter a pressão e os jogos de cima agressivos
  • Acesso às guilhotinas e aos darce chokes

X-guard

Guarda aberta assimétrica em que o praticante coloca as pernas em X sob o adversário, controlando uma perna e desequilibrando sua base. Técnica avançada que permite raspagens técnicas e ataques às costas. Aqui também foi Marcelo Garcia quem popularizou a X-guard no mais alto nível.

Utilização:

  • Raspagem em X (raspagem direta)
  • Transição para a single leg X-guard
  • Pegada das costas por inversão

🔒 Principais finalizações

Estrangulamentos (Chokes)

Triângulo (Triangle choke): A finalização icônica do JJB, em que as pernas formam um triângulo em volta do pescoço e de um braço do adversário, comprimindo as carótidas. Disponível de quase todas as guardas, o triângulo é uma das primeiras finalizações ensinadas.

Mata-leão (Rear naked choke / RNC): O estrangulamento pelas costas é a finalização mais eficaz do jiu-jitsu. Executado da pegada das costas, comprime as duas carótidas simultaneamente, provocando o apagamento em segundos se não for controlado.

Guilhotina (Guillotine choke): Estrangulamento frontal em que o praticante envolve o pescoço do adversário com um braço passando sob o queixo. Particularmente eficaz contra tentativas de queda e a partir da guarda. Variações: guilhotina alta, arm-in, e a famosa Marcelotine de Marcelo Garcia.

Estrangulamento cruzado (Cross-collar choke): Estrangulamento que usa a gola do kimono do adversário com as mãos cruzadas para comprimir as carótidas. Executável da guarda e da montada, é uma assinatura do jiu-jitsu de kimono. Não confundir com o Ezequiel (que usa a própria manga) nem com os lapel chokes (que usam a lapela).

Darce choke (D’arce): Estrangulamento assimétrico do no-gi em que o braço do atacante passa sob o braço do adversário e agarra o próprio bíceps para comprimir o pescoço lateralmente.

Anaconda choke: Variação do darce em que o braço passa no sentido contrário, criando uma compressão semelhante por outro ângulo.

Chaves articulares (Joint locks)

Armlock (Juji gatame): Finalização fundamental que ataca o cotovelo. O praticante isola o braço do adversário e aplica pressão em extensão na articulação do cotovelo. Disponível de praticamente todas as posições.

Kimura: Chave de ombro com pegada dupla (figura 4 com os braços) que força uma rotação externa do ombro do adversário. Batizada em homenagem ao judoca Masahiko Kimura, que finalizou Hélio Gracie em 1951. Extremamente versátil e potente.

Americana: Chave de ombro semelhante à kimura, mas com rotação no sentido contrário (rotação interna). Tipicamente executada da montada ou do cem quilos.

Omoplata: Finalização sofisticada que usa as pernas para controlar o braço e o ombro do adversário, aplicando pressão de rotação na articulação do ombro. Muito usada em transição a partir do triângulo ou da guarda aranha.

Chave de pé reta (Straight ankle lock): Chave de tornozelo fundamental em que o praticante isola a perna do adversário e aplica pressão em extensão na articulação. A porta de entrada das chaves de perna, permitida desde a faixa branca na IBJJF.

Kneebar (chave de joelho): Chave que aplica pressão em hiperextensão na articulação do joelho. Na IBJJF, é permitida a partir da faixa marrom nas categorias adultas.

Heel hook (chave de calcanhar): Ataque ao joelho por rotação do calcanhar, considerado a mais perigosa das chaves de perna porque lesiona antes de doer. Continua proibido de kimono na IBJJF, mas é permitido no no-gi IBJJF (faixas marrom e preta adultas) desde 2021, assim como no ADCC. Exige compreensão anatômica precisa e um parceiro de confiança.


⚔️ Passagens de guarda (Guard passes)

Toreando (bullfighter pass): Passagem dinâmica em que o praticante controla as duas pernas do adversário e as empurra lateralmente para contornar a guarda, como um toureiro desviando do touro. Rápida, explosiva, eficaz contra as guardas abertas. Era a arma principal do maior passador da história, Leandro Lo.

Knee slice (knee cut): Passagem em que o praticante desliza um joelho através da guarda do adversário, como uma faca cortando, estabilizando no cem quilos. Uma das passagens mais usadas no jiu-jitsu moderno.

Leg drag: Passagem em que o praticante puxa uma perna do adversário através da própria linha do corpo, criando um ângulo favorável para chegar direto às costas ou ao cem quilos. Favorito do jogo moderno pelo acesso às costas.

Stack pass: Passagem de pressão em que o praticante levanta o quadril do adversário (o “stack”, empilhar) e passa as pernas dele por cima da cabeça. Potente contra guardas fechadas e meias-guardas.

Over-under pass: Passagem de pressão clássica em que o praticante passa um braço por cima e um por baixo das pernas do adversário, criando um controle assimétrico para pressionar através da guarda.


🔄 Raspagens & reversões (Sweeps & Reversals)

Raspagem de tesoura (scissor sweep): Raspagem clássica da guarda fechada em que o praticante usa as pernas em movimento de tesoura para reverter o adversário. A primeira raspagem ensinada aos iniciantes.

Butterfly sweep: Raspagem explosiva da guarda borboleta que usa os ganchos e o momentum para levantar e projetar o adversário lateralmente.

Hip bump sweep (upa): Raspagem da guarda fechada que usa um movimento explosivo do quadril para desequilibrar o adversário para a frente e revertê-lo.

Raspagem de pêndulo (pendulum sweep): Raspagem da guarda aranha ou da guarda aberta que usa um movimento de pêndulo com as pernas para derrubar o adversário para o lado.

Berimbolo: Técnica moderna e acrobática a partir da guarda De la Riva, em que o praticante rola sob o adversário para chegar direto às costas. Popularizada pelos irmãos Mendes, revolucionou o jiu-jitsu competitivo moderno.

Old school sweep: Raspagem da meia-guarda em que o praticante controla o braço oposto do adversário e raspa para trás. Clássica e eficaz.


Como progredir tecnicamente

Para iniciantes (faixas brancas)

Concentre-se nos fundamentos:

  • Dominar a guarda fechada (ataque e defesa)
  • Entender as posições básicas (montada, cem quilos, costas)
  • Aprender 2-3 finalizações básicas (triângulo, armlock, mata-leão)
  • Desenvolver o equilíbrio e a consciência corporal

Mentalidade recomendada: Não tente conhecer todas as técnicas. É melhor dominar 10 técnicas fundamentais do que conhecer superficialmente 100 movimentos. A repetição inteligente constrói os automatismos.

Para intermediários (faixas azuis e roxas)

Desenvolva seu jogo pessoal:

  • Identifique suas posições favoritas (seu “A-game”)
  • Aprofunde um tipo de guarda específico
  • Trabalhe os encadeamentos (se o armlock falhar, emendar no triângulo ou na omoplata)
  • Estude as sequências de passagem de guarda
  • Entenda os princípios por trás das técnicas, não só os movimentos

Objetivo: Construir um sistema de jogo coerente em que cada posição se conecta às outras.

Para avançados (faixas marrons e pretas)

Refine e inove:

  • Aperfeiçoe os detalhes microscópicos (pegadas, ângulos, timing)
  • Desenvolva variações pessoais adaptadas ao seu biotipo
  • Antecipe as reações do adversário e prepare os contra-ataques
  • Estude o jogo dos campeões atuais — nossos perfis de lendas destrincham os sistemas de Marcelo Garcia, Leandro Lo, Roger Gracie e outros
  • Experimente e contribua para a evolução do jiu-jitsu

Recursos para se aprofundar

  • O glossário do JJB: mais de 120 termos técnicos definidos, com uma âncora por termo
  • As faixas no jiu-jitsu: o que significa cada graduação
  • Entender o jiu-jitsu brasileiro: o guia completo do JJB

🥋 Progredir mais rápido: os instrucionais de referência

Para se aprofundar nos sistemas apresentados nesta página, aqui estão três referências diretamente ligadas às técnicas acima, ensinadas por quem as tornou famosas (conteúdo em inglês):

  • The Complete Butterfly Guard — Marcelo Garcia: a guarda borboleta e a X-guard pelo próprio “King of the Butterfly Guard”
  • Active Guard Passing Explained — Leandro Lo: o toreando e a passagem em pé pelo maior passador da história
  • All Access Pass — Marcelo Garcia: todos os instrucionais dele em um único acesso (guilhotinas, passagens, cem quilos…)

Transparência: os links acima são links de afiliado. Eles não mudam o preço para você e apoiam o trabalho do BJJ-Rules.

FAQ: as técnicas do JJB em perguntas

Quais técnicas aprender primeiro no JJB?

Comece pela guarda fechada, pelas fugas de quadril, pelas posições básicas (montada, cem quilos, costas) e por duas ou três finalizações fundamentais: triângulo, armlock e mata-leão. É melhor dominar dez técnicas fundamentais do que passar por cima de cem movimentos — a repetição constrói os automatismos.

Quantos pontos vale cada posição na IBJJF?

A queda, a raspagem e o joelho na barriga valem 2 pontos, a passagem de guarda vale 3 pontos, e a montada e a pegada das costas valem 4 pontos. O cem quilos sozinho não pontua.

As chaves de perna são permitidas em competição?

Depende da faixa e do formato. Na IBJJF, a chave de pé reta é permitida desde a faixa branca; a kneebar e o toe hold a partir da faixa marrom; o heel hook apenas no no-gi, para faixas marrom e preta adultas, desde 2021. De kimono, o heel hook continua proibido em todos os níveis.

Qual é a diferença entre uma guarda e uma posição?

Uma posição designa qualquer configuração entre os dois lutadores (montada, cem quilos, costas…). Uma guarda é um tipo particular de posição: aquela em que o praticante de baixo usa as pernas para controlar o adversário. É a grande especificidade do JJB, que transformou a posição no solo em plataforma ofensiva.


📖 Faltou algum termo?

Cada técnica desta página está definida no glossário completo do JJB: mais de 120 termos explicados de forma simples, com uma âncora por termo para apontar direto para uma definição.

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