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Leandro Lo: o competidor mais completo da história do JJB

Alguns atletas ganham títulos. Outros marcam um esporte para sempre. Leandro Lo fez as duas coisas. Oito títulos mundiais IBJJF. Cinco categorias de peso diferentes. Um recorde que ninguém igualou na...

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25 março 2026 17 Min Read
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léandro lo bjj

Alguns atletas ganham títulos. Outros marcam um esporte para sempre. Leandro Lo fez as duas coisas. Oito títulos mundiais IBJJF. Cinco categorias de peso diferentes. Um recorde que ninguém igualou na história do JJB de quimono. Mas além dos números, Leandro Lo representava algo mais raro: um competidor que tornava o jiu-jitsu brasileiro bonito de assistir. Ofensivo, criativo, incansável.

Table Of Content

  • De onde veio Leandro Lo?
  • Como Leandro Lo construiu seu estilo de jogo?
  • Qual é o cartel de Leandro Lo?
  • Por que Leandro Lo fundou a NS Brotherhood?
  • Quais adversários marcaram a carreira de Leandro Lo?
  • A tragédia: o que aconteceu em 7 de agosto de 2022?
  • Qual é a situação do processo judicial?
  • Qual é o legado de Leandro Lo no JJB?
  • Conclusão: Faixa Preta Nunca Morre
  • FAQ: Leandro Lo

Sua morte trágica em agosto de 2022, aos 33 anos, deixou um vazio imenso na comunidade mundial do JJB. No entanto, três anos e meio depois, sua influência permanece em todo lugar: nas academias que ensinam suas passagens de guarda, nos competidores que citam seu nome como inspiração, no programa escolar que leva seu nome no Brasil. Não dá para falar da história do jiu-jitsu brasileiro sem falar de Leandro Lo. Este é o seu retrato.

Leandro Lo, oito vezes campeão mundial de JJB
Leandro Lo, oito vezes campeão mundial de JJB

⚡ Ficha — Leandro Lo

Nome completoLeandro Pereira do Nascimento Lo
Nascimento11 de maio de 1989, São Paulo, Brasil
Falecimento7 de agosto de 2022 (33 anos), São Paulo, Brasil
Nacionalidade🇧🇷 Brasileiro
FaixaPreta (sob Cicero Costha)
EquipeNS Brotherhood (fundador) / PSLPB Cicero Costha
EstiloPassagem de guarda ofensiva, spider guard, pressão constante
LinhagemCarlos Gracie → Hélio Gracie → Rickson Gracie → Marcelo Behring → Waldomiro Perez → Roberto Godoi → Marco Barbosa → Cicero Costha → Leandro Lo
DistinçãoIBJJF Hall of Fame (2023, póstumo)

De onde veio Leandro Lo?

Leandro Lo nasceu em 11 de maio de 1989 na zona leste de São Paulo, uma das regiões mais carentes da megalópole brasileira. Seu caminho até o topo do JJB mundial não tinha nada de óbvio. Foi um projeto social que mudou tudo.

Da Capoeira ao Projeto Social: o moleque de São Matheus

Antes do JJB, veio a Capoeira. Leandro praticou durante cerca de dois anos no bairro. Mas o garoto queria competir, e a Capoeira não tinha torneios. Então, em 2004, aos 14 anos, ele entrou no Projeto Social Lutando Pelo Bem (PSLPB), fundado pelo instrutor Cicero Costha para oferecer acesso gratuito ao jiu-jitsu brasileiro a crianças de comunidades carentes. Esse projeto se tornaria o berço de um dos maiores campeões da história do JJB. A Capoeira, aliás, não seria esquecida: Leandro contou mais tarde que essa primeira disciplina lhe deu uma mobilidade e consciência corporal que ajudaram desde o início no JJB.

As condições de vida no PSLPB eram espartanas. No auge, até quinze competidores dormiam na sala de treino. Sem cozinha, apenas um micro-ondas. A refeição do dia: macarrão com atum em lata, sem molho. Na prática, o dinheiro ia para inscrições em torneios, não para comida. Foi justamente nesse ambiente que Leandro Lo forjou sua fome de vitória, ao lado de futuros campeões como os irmãos Miyao, Yago de Souza e Wellington Luís. Anos depois, Lo diria dos Miyaos: “Nunca vi ninguém tão trabalhador quanto esses dois. Os caras mais esforçados do mundo.” Mesmo depois de se tornar oito vezes campeão mundial, Lo continuava se apresentando como “o moleque do projeto”. Nunca esqueceu de onde veio, especialmente do bairro de São Matheus onde tudo começou.

Um dia de peão, uma vida no tatame

O JJB não paga no começo. Leandro morava a 1h40 da academia, três ônibus por trecho. Às vezes não tinha dinheiro para comer durante o dia e esperava o jantar na casa da mãe. Ao perder o benefício do governo aos 18 anos, tentou trabalhar um dia na siderurgia: carregar ferro, cortar ferro, das 7h às 20h30, por 25 reais. Um único dia. No dia seguinte, ligou para o Cicero: “Pelo amor de Deus, me arranja uma aula pra dar. Se pagar a passagem, tá bom. Eu não quero trabalhar.”

Cicero, por sua vez, também não deixou ele se desviar para os estudos. Quando Leandro contou que tinha achado um emprego, a resposta foi direta: “Você vai desperdiçar seu talento e virar mais um.” Quando o JJB começou a atrapalhar a escola: “Se o jiu-jitsu está atrapalhando seus estudos, larga a escola.” Palavras que muitos julgariam irresponsáveis. Para Leandro Lo, foram proféticas.

Leandro era, de qualquer forma, um atleta nato. Desde os primeiros anos, acumulou títulos nas categorias de base. Campeão mundial IBJJF de faixa azul juvenil em 2005, voltou ao pódio em 2006. O talento era evidente. Mas foi uma lesão na faixa roxa que realmente moldou o competidor que ele se tornaria.


Como Leandro Lo construiu seu estilo de jogo?

Leandro Lo construiu seu estilo transformando uma lesão em oportunidade. Inicialmente conhecido como especialista em spider guard e triângulo na faixa roxa, aproveitou um longo período sem competir para desenvolver o jogo por cima que se tornaria sua marca registrada na faixa preta.

Essa lesão o afastou dos tatames de competição por vários meses. Sem a pressão dos torneios, Leandro se dedicou inteiramente ao trabalho na sala. Estudou os passadores que o inspiravam: Jacaré e seu toreando, Romulo Barral e sua cross-grip em pé, e claro o próprio Cicero Costha, que ensinava exclusivamente passagem em pé. Lo fundiu essas influências em um estilo só dele: toreando, knee cut, pressão constante, movimentação lateral. Foi nesse período que nasceu o Leandro Lo que o mundo conheceria na faixa preta.

18 rounds por dia: a forja do campeão

O volume de treino de Lo entre 2009 e 2013 era absurdo. Na prática: três sessões por dia. Seis rounds de 8 minutos por sessão, com 2 minutos de descanso entre cada. Mais 2 horas de drilling técnico diário. Ou seja, 18 rounds de sparring por dia, além do trabalho posicional. Foi nesse período que ele atingiu o que chamava de suas “10.000 horas”: o ponto de virada onde a técnica vira instinto.

Sua filosofia de treino não dava espaço para conforto. Como ele mesmo resumia: “Rola para matar ou morrer.” Nada de rolar leve. Sempre começava pelos parceiros mais pesados, mais perigosos, depois ia descendo a intensidade. No PSLPB, todo mundo rolava nesse espírito: “Todo mundo rola machucado, todo mundo rola cansado.” Era a cultura da sala.

A pressão constante: a marca registrada de Leandro Lo

O resultado dessa forja foi um estilo único na história do JJB competitivo. Leandro combinava uma base técnica impecável com uma intensidade física permanente. Sua passagem de guarda era ao mesmo tempo metódica e explosiva, com uma capacidade rara de encadear tentativas sem nunca aliviar a pressão. Acima de tudo, ele tinha aquela qualidade que comentaristas e treinadores chamam de “forward pressure”: um avanço constante, incansável, sufocante para o adversário.

Leandro Lo, passagem de guarda ofensiva em competição
Leandro Lo, passagem de guarda ofensiva em competição

Esse estilo ofensivo diferenciava Leandro Lo da maioria dos competidores de alto nível. Enquanto outros buscavam primeiro garantir vantagens e administrar o placar, Lo avançava. Sempre. Essa abordagem tornava suas lutas empolgantes de assistir, mesmo para quem não entendia nada de JJB. É também o que fez dele um dos atletas mais populares do circuito competitivo.

“

As pessoas se lembram da forma como você luta, não dos seus títulos. É por isso que todo mundo amava assistir o Leandro. Ele dava tudo no tatame. Usava todas as armas. O estilo Leandro Lo.

— André Galvão, podcast Atos BJJ (2022)


Qual é o cartel de Leandro Lo?

O cartel de Leandro Lo é um dos mais impressionantes da história do JJB de quimono. Oito títulos mundiais IBJJF, medalhas de ouro em cinco categorias de peso diferentes, e um domínio que se estendeu por uma década inteira, de 2012 a 2022.

A decolagem: 2011-2013

Tudo começou em abril de 2011. Leandro Lo, ainda relativamente desconhecido no cenário internacional, derrotou Michael Langhi no World Pro da UAEJJF. Langhi estava invicto na categoria dos leves havia três anos. Essa vitória colocou Lo no mapa mundial do JJB da noite para o dia. Galvão se lembra da sua primeira reação: “Leandro Lo? Que nome é esse? Quem é esse cara magrinho? Aí eu vi ele lutando e o cara metia um ritmo absurdo.”

No mesmo ano, conquistou o Campeonato Brasileiro. Em 2012, veio a consagração: primeiro título mundial IBJJF de faixa preta, categoria leve, derrotando Lucas Lepri na final. Lepri se tornaria um dos seus rivais mais constantes. Lo emendou com um segundo título mundial em 2013, novamente nos leves. A dominação estava lançada.

A subida de categoria: 2014-2016

É aqui que Leandro Lo se diferencia de todos. Em vez de ficar confortável na sua categoria, ele decidiu subir de peso. Em 2014, conquistou o título mundial nos médios, em 2015, defendeu com sucesso. E em 2016, subiu mais uma vez e ganhou nos meio-pesados.

Três categorias de peso, cinco títulos mundiais em cinco anos. Algo inédito no JJB moderno. Além disso, 2016 reservou ainda outro feito histórico: Leandro Lo se tornou o primeiro tricampeão da Copa Pódio, vencendo os Grand Prix leve, médio e pesado no mesmo ano. Três categorias. Três títulos. A mesma temporada. Ninguém tinha feito isso antes. Ninguém fez depois. Em paralelo, Lo abriu mão do seu próprio sonho no absoluto do Mundial naquele ano, cedendo sua vaga ao amigo Buchecha. Um sacrifício que o público só descobriria anos mais tarde.

Foi também em 2016 que Lo começou a integrar a preparação física à sua rotina de forma séria. Após uma derrota para Bernardo Faria em 2015, ele disse ao companheiro de equipe Yago de Souza: “Vou virar o Galvão ou o Barral.” Começou então a musculação no estilo “jail style”, como ele chamava: séries de 5×5, trabalho de explosão, movimentos longos e compostos para preservar a mobilidade. O resultado foi imediato: já em 2016, chegou às semifinais do absoluto e percebeu que a diferença era incomparável.

Leandro Lo em competição de JJB

O recorde e a consagração: 2018-2022

Em 2017, Lo subiu para os pesados e chegou à final mundial, onde perdeu para Nicholas Meregali. No ano seguinte, no Mundial 2018, mirava o recorde de Saulo Ribeiro (títulos em quatro categorias diferentes). Lesionado no ombro durante a final dos meio-pesados contra Mahamed Aly, foi obrigado a desistir. Escalado para a final do absoluto contra Marcus “Buchecha” Almeida, Lo parecia condenado pela lesão. Mas Buchecha, num gesto de respeito raro (geralmente reservado a companheiros de equipe), escolheu ceder o lugar. Lo obteve assim seu primeiro título no absoluto e seu quarto título numa quarta categoria, igualando o recorde de Ribeiro. Um momento que diz tudo sobre o respeito que Leandro Lo inspirava, inclusive nos seus adversários mais temidos.

O próprio Lo não considerava plenamente esse título. Na sua entrevista com Galvão, confessou: “Tem um que eu não conto de verdade, aquele que me machuquei no ombro e o Buchecha me deu a vaga. Por isso eu queria fazer outro absoluto: ganhar a final de verdade.” Essa honestidade resume o homem: oito títulos mundiais, e ainda assim considerava um deles incompleto.

A travessia do deserto: 2018-2021

A lesão de 2018, no entanto, abriu um longo período de dúvidas. Lo passou dois anos reconstruindo o ombro, a confiança e o jogo. Descreveu esse período ao Galvão sem rodeios: as náuseas de ansiedade antes do treino, o corpo que não respondia, o medo de não voltar. “Levei dois anos para minha cabeça se ajustar de novo. Eu perdia, mas progredia um pouco a cada vez. Ia colocando as peças no lugar, uma por uma.”

Em 2019, finalmente bateu o recorde ao conquistar o título nos pesados: cinco categorias de peso diferentes no Mundial IBJJF. Feito histórico. Depois, em junho de 2022, Lo conquistou seu oitavo título mundial, dez anos após seu primeiro ouro de faixa preta. Voltou transformado: mais musculação, mais explosão, e sobretudo uma maturidade mental forjada pelos anos de dúvida. Seria seu último torneio.

🏆 Leandro Lo em números

Títulos mundiais IBJJF8
Categorias de peso (Mundial)5 (recorde)
Títulos Pan-Americano IBJJF8
Copa Pódio (Grand Prix)6 (tríplice coroa 2016)
Campeonatos Brasileiros3
Duração do domínio2012–2022 (10 anos)
IBJJF Hall of Fame2023 (póstumo)

Por que Leandro Lo fundou a NS Brotherhood?

Leandro Lo fundou a NS Brotherhood em 2015 para construir um projeto à sua imagem: ofensivo, ambicioso, voltado para a competição de alto nível. O nome “New School” refletia sua visão de um JJB moderno, onde técnica e intensidade física caminham juntas.

Leandro Lo treinando

Depois de anos no PSLPB Cicero Costha, a academia onde tudo começou, Leandro sentiu a necessidade de voar com as próprias asas. A separação do Cicero Costha não foi um conflito, porém, e sim uma evolução natural. Lo queria construir sua própria estrutura, atrair competidores de elite e transmitir sua filosofia do JJB.

A NS Brotherhood atraiu rapidamente nomes de primeiro escalão. Entre os atletas que saíram do PSLPB com Leandro estavam Luiza Monteiro, Helio Dias, Gustavo “Braguinha”, Ygor Schneider, Anderson Lira e Wellington Luís. O projeto era baseado numa convicção: os laços forjados no tatame vão além do JJB. A equipe se firmou no cenário internacional, confirmando que Leandro Lo não era apenas um competidor excepcional, mas também um líder capaz de estruturar um projeto coletivo.


Quais adversários marcaram a carreira de Leandro Lo?

A carreira de Leandro Lo foi marcada por rivalidades que moldaram a história do JJB competitivo. Cada subida de categoria trouxe novos adversários, e cada rivalidade revelou uma faceta diferente do seu talento.

Lucas Lepri. A rivalidade mais longa. Os dois se enfrentaram diversas vezes nos leves, com vantagem geral para Lo. Lepri, técnico meticuloso e também multicampeão mundial, era o espelho perfeito: dois estilos diferentes, um nível idêntico. Suas finais no Mundial estão entre as mais bonitas da era moderna.

Michael Langhi. A vitória de Lo sobre Langhi no World Pro de 2011 foi justamente o ponto de partida de tudo. Langhi era o cara a ser batido havia três anos. Tirá-lo do trono lançou Leandro em outra dimensão.

Nicholas Meregali. A única final mundial que Lo perdeu de forma clara, em 2017, nos pesados. Meregali, com seu porte e jogo dominante de guardeiro, representou o limite da subida de categoria de Lo. Essa derrota, no entanto, só aumentou o respeito entre os dois.

Lo e Buchecha: mais do que uma rivalidade

Marcus “Buchecha” Almeida. Mais do que uma rivalidade: uma irmandade. O confronto entre Lo e Buchecha, especialmente no absoluto, simbolizava o choque entre a técnica móvel de Lo e a força bruta de Buchecha. Duas filosofias de luta. Duas lendas.

O que o público mais lembrou foi o gesto do Buchecha no Mundial 2018, quando cedeu a final do absoluto para Lo, machucado. Mas ninguém sabia que em 2016, foi Lo quem deu o primeiro passo. Buchecha revelou depois da morte do Leandro: “Ninguém viu o que ele tinha feito em 2016, quando abriu mão do sonho dele e me deixou passar direto para a final do absoluto.” O gesto de 2018 não foi um presente. Foi um retorno. Buchecha descreveu Lo como “um irmão” e “um ser humano iluminado, fora dos tatames também”. Para conhecer essa história pela perspectiva do Buchecha, com a cena completa do Mundial 2016 e a reação do seu mestre Leo Vieira, leia nosso retrato de Marcus “Buchecha” Almeida.


A tragédia: o que aconteceu em 7 de agosto de 2022?

Em 7 de agosto de 2022, Leandro Lo estava numa noite no Clube Sírio (um clube social no bairro de Indianópolis, zona sul de São Paulo) onde o grupo de pagode Pixote se apresentava ao vivo. Estava com amigos. A noite era tranquila.

Segundo testemunhas e a investigação policial, um homem se aproximou da mesa de Leandro e provocou uma confusão. Esse homem era Henrique Otávio Oliveira Velozo, tenente da Polícia Militar de São Paulo, à paisana e fora de serviço. Lo tentou acalmar a situação imobilizando-o no chão e depois o soltou. Velozo se levantou, porém, sacou uma arma escondida sob a roupa e atirou na cabeça de Leandro Lo.

O campeão foi levado às pressas ao hospital, onde foi declarado em morte cerebral. Leandro Lo morreu aos 33 anos, no auge da carreira, menos de dois meses após conquistar seu oitavo título mundial. Poucas semanas antes, na entrevista com Galvão, falava em abrir sua própria academia aos 35 anos, em fazer a transição da competição para o ensino. Não teve tempo.

Velozo se apresentou à Corregedoria da PM no dia seguinte. Foi preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.

O velório de Leandro Lo aconteceu em 9 de agosto de 2022 no Cemitério do Morumbi, em São Paulo. Dezenas de atletas de quimono formaram um corredor de honra do caixão aberto até o túmulo. A comunidade mundial do JJB estava em choque.


Qual é a situação do processo judicial?

O processo judicial teve inúmeras reviravoltas desde 2022. Estes são os fatos conforme documentados por fontes brasileiras e internacionais.

Nos dias seguintes à morte de Lo, a comunidade do JJB se mobilizou. Buchecha lançou um manifesto assinado por equipes, atletas, mídia especializada e a família, exigindo investigação imparcial e julgamento justo, sem privilégios ligados ao status de policial militar do suspeito. O manifesto, compartilhado no mundo inteiro, mostrou a dimensão do choque causado pelo caso.

Julgamento e a absolvição polêmica

O Ministério Público de São Paulo denunciou Velozo por homicídio qualificado com três agravantes (motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima). No entanto, o julgamento, inicialmente previsto para maio de 2025, foi adiado duas vezes por incidentes processuais.

O julgamento aconteceu finalmente de 12 a 14 de novembro de 2025 no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Após três dias de audiências, o júri popular (cinco mulheres, dois homens) absolveu Velozo aceitando a tese de legítima defesa apresentada por seus advogados. O policial foi consequentemente solto em 15 de novembro de 2025.

O veredicto provocou uma onda de choque na comunidade mundial do JJB. Fátima Lo, mãe do Leandro, declarou ter “enterrado o filho pela segunda vez”. O Ministério Público anunciou recurso. O advogado da família contestou a versão de Velozo e confirmou a intenção de seguir na luta judicial.

Último desdobramento conhecido: em março de 2026, um tribunal de São Paulo confirmou por unanimidade a demissão de Velozo da Polícia Militar. Embora absolvido no criminal, o Conselho de Justificação da PM o havia julgado inapto para exercer a função de oficial. O recurso criminal segue em andamento.


Qual é o legado de Leandro Lo no JJB?

O legado de Leandro Lo vai muito além da competição. Ele mudou a forma como uma geração inteira de praticantes pensa o JJB ofensivo, e seu impacto continua sendo sentido em academias do mundo todo.

Um modelo técnico

A passagem de guarda de Leandro Lo se tornou referência pedagógica. Seu toreando, seu knee cut, sua capacidade de encadear tentativas de passagem sem parar: tudo isso faz parte hoje do currículo de inúmeras academias. Para instrutores e competidores, estudar o jogo de Lo é essencialmente estudar a essência do JJB ofensivo de quimono. Seu estilo lembra o de Roger Gracie por um ponto essencial: a aparente simplicidade escondia um domínio técnico absoluto.

Um símbolo social

A história de Leandro Lo, criança de um bairro carente de São Paulo que se tornou campeão mundial graças a um projeto social, encarna a promessa do JJB como ferramenta de transformação social. O Projeto Social Lutando Pelo Bem de Cicero Costha, que formou Lo, continua seu trabalho. Em outubro de 2024, a cidade de Belo Horizonte lançou o programa “Leandro Lo, JJB na Escola”, usando sua história como inspiração para introduzir o jiu-jitsu nas escolas públicas.

Além disso, sua família e amigos próximos (especialmente Buchecha e sua irmã Amanda Lo) criaram o Instituto Leandro Lo para dar continuidade ao que sempre foi o sonho do Leandro: ajudar jovens a se tornarem atletas e viverem do esporte, como ele fez partindo do bairro de São Matheus. A iniciativa prolonga concretamente o legado do “moleque do projeto”, oferecendo a outras crianças as mesmas chances que Cicero Costha deu ao Leandro.

Reconhecimento mundial

Em maio de 2023, a IBJJF incluiu Leandro Lo no seu Hall of Fame a título póstumo, ao lado de lendas como Roger Gracie e Marcelo Garcia. A UAEJJF também prestou homenagem pelos seus múltiplos títulos no World Pro. No Mundial 2022 e no ADCC 2022, minutos de silêncio foram observados em sua memória. Em todo o mundo, competidores ainda usam patches e quimonos com sua imagem. A frase “Legends Never Die”, adotada pela comunidade do JJB, se tornou inseparável do seu nome.

Nas palavras de quem conviveu com ele

“

Leandro Lo foi um dos maiores do nosso esporte. Um exemplo de verdadeiro faixa preta, artista marcial e campeão dentro e fora dos tatames. Descanse em paz, lenda.

— IBJJF, comunicado oficial (agosto de 2022)

“

Descanse em paz Leandro. Só agora paro, sento e vejo o quanto é significativo para mim um dia ser admirado por você. Lembro de quando você falava para eu treinar menos, lembro quando você comprou um moletom pra mim, pois não tinha dinheiro, lembro de você enfurecido em raros treinos que não conseguia passar minha guarda… mas o que vai ficar mais marcado para mim é a maneira como encarava o ato “viver”. Obrigado por tudo. Faixa preta nunca morre.

— João Miyao (agosto de 2022)

“

Vivendo o presente! Guardo isso comigo, não gosto de economizar nada nesta vida. Tudo que eu tenho é o agora.

— Leandro Lo


Conclusão: Faixa Preta Nunca Morre

Leandro Lo não é apenas um campeão. É uma referência. Um ponto de partida para todos que acreditam que o JJB deve ser ofensivo, espetacular e acessível. Um moleque de um bairro difícil de São Paulo, que trabalhou um dia na siderurgia antes de decidir que sua vida seria no tatame, e que provou que talento, combinado com trabalho e um ambiente acolhedor, pode levar ao topo do mundo.

Três anos e meio após sua partida, sua influência permanece intacta. Sua passagem de guarda continua sendo estudada, seu nome continua sendo gritado. Sua história segue inspirando milhares de praticantes que sobem no tatame todos os dias, em academias dos quatro cantos do mundo. Leandro Lo foi tirado do JJB cedo demais. Mas o que ele construiu no tatame, isso nunca vai desaparecer. Faixa preta nunca morre.


FAQ: Leandro Lo

Quantos títulos mundiais Leandro Lo conquistou?

Leandro Lo conquistou oito títulos mundiais IBJJF de faixa preta, entre 2012 e 2022. Detém também o recorde de categorias de peso diferentes no Mundial: cinco (leve, médio, meio-pesado, pesado e absoluto).

Qual era o estilo de jogo de Leandro Lo?

Leandro Lo era conhecido principalmente pela passagem de guarda ofensiva e constante, inspirada em Jacaré, Romulo Barral e Cicero Costha. Seu toreando e knee cut eram referências técnicas. No início da carreira, era também reconhecido pela spider guard e triângulos. O que o diferenciava era o forward pressure: um avanço permanente, físico e sufocante para o adversário.

Quem formou Leandro Lo no JJB?

Leandro Lo recebeu a faixa preta de Cicero Costha, fundador do Projeto Social Lutando Pelo Bem (PSLPB) em São Paulo. Esse projeto social oferecia acesso gratuito ao JJB para crianças de comunidades carentes. Antes do JJB, Lo praticou Capoeira por dois anos. Em 2015, fundou sua própria equipe, a NS Brotherhood, mantendo uma relação de respeito com Costha.

Como Leandro Lo morreu?

Leandro Lo foi morto a tiros em 7 de agosto de 2022 no Clube Sírio, em São Paulo, durante uma noite com show ao vivo. O atirador, um tenente da PM à paisana, foi preso no dia seguinte. Após julgamento em novembro de 2025, o júri absolveu o policial aceitando a tese de legítima defesa. A família de Lo e o Ministério Público anunciaram recurso.

Leandro Lo está no Hall of Fame da IBJJF?

Sim. Em maio de 2023, a IBJJF incluiu Leandro Lo no Hall of Fame a título póstumo, no dia que seria seu 34° aniversário. Ele se juntou a lendas como Roger Gracie e Marcelo Garcia. A UAEJJF também prestou homenagem pelos seus títulos no World Pro.

Qual é o legado de Leandro Lo no JJB?

O legado de Leandro Lo é triplo. Tecnicamente, sua passagem de guarda segue como referência em academias do mundo inteiro. Socialmente, sua trajetória de um projeto social até o topo do mundo inspira milhares de jovens praticantes. Simbolicamente, a frase “faixa preta nunca morre”, adotada pela comunidade brasileira, se tornou inseparável do seu nome. Um programa escolar com seu nome foi lançado em Belo Horizonte em 2024, e o Instituto Leandro Lo dá continuidade à sua missão de ajudar jovens atletas.


Para saber mais, leia nosso retrato de Marcus “Buchecha” Almeida, nosso artigo sobre Roger Gracie, nosso retrato de Marcelo Garcia, e o site oficial de Leandro Lo e NS Brotherhood.

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