Como progredir no JJB treinando duas vezes por semana
Duas vezes por semana. Essa é a realidade da maioria dos praticantes de jiu-jitsu brasileiro. Entre trabalho, família e outras obrigações, poucos conseguem treinar cinco ou seis vezes por semana....

Duas vezes por semana. Essa é a realidade da maioria dos praticantes de jiu-jitsu brasileiro. Entre trabalho, família e outras obrigações, poucos conseguem treinar cinco ou seis vezes por semana. Mesmo assim, ainda se ouve muito que “para evoluir no JJB, tem que viver no tatame”. Na verdade, isso não é verdade.
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Conhecemos faixas roxas e marrons que nunca treinaram mais do que duas ou três vezes por semana. A diferença entre eles e quem estagna não é o volume — é o método. Em outras palavras, não importa quantas vezes você pisa no tatame, mas o que faz quando está lá. E, principalmente, o que faz entre os treinos.
Neste artigo, compartilhamos as estratégias concretas que permitem progredir no JJB treinando duas vezes por semana. Sem papo motivacional vazio — apenas métodos que funcionam. Se você ainda não começou, dê uma olhada no nosso guia completo para iniciantes.
No tatame: aproveitar cada treino ao máximo
Quando você só treina JJB duas vezes por semana, cada minuto no tatame é precioso. Não se trata de treinar mais forte — se trata de treinar mais inteligente. Na prática, isso se resume a três princípios.
Chegar com um objetivo definido
Antes de cada treino, defina um objetivo simples. Por exemplo: “Hoje vou trabalhar minhas saídas de side control” ou “Vou tentar finalizar em triângulo a partir da guarda fechada“. Mesmo que não consiga, ter uma direção melhora o aprendizado de forma considerável. Em contrapartida, encadear randoris sem intenção é tempo desperdiçado.
Esse conselho vale especialmente para faixas brancas e azuis. Nesses níveis, você está sempre em modo sobrevivência — reagindo em vez de agindo. Definir um objetivo muda sua mentalidade da reação para a intenção. Consequentemente, essa única mudança pode acelerar sua evolução de forma drástica.
Escolher bem os parceiros de treino
Nem todo randori vale o mesmo. Quando você só tem duas sessões, priorize parceiros que te desafiam tecnicamente em vez daqueles que simplesmente te esmagam fisicamente. Um round técnico com um faixa roxa que te deixa trabalhar vale mais que dez guerras contra alguém do seu nível.
Além disso, não hesite em pedir rounds posicionais: começar de uma posição específica (side control, costas, guarda De La Riva) e trabalhar apenas essa situação por três ou quatro minutos. É uma das ferramentas mais eficazes para evoluir, e no entanto poucos praticantes usam.
Se colocar em posições ruins de propósito
Esse é o conselho mais difícil de seguir, mas também o mais poderoso. Em vez de jogar só o seu melhor jogo, coloque-se deliberadamente em posições desconfortáveis. Dê as costas. Deixe tomarem a montada. Trabalhe seu lado fraco. Sim, é duro para o ego. Porém, é exatamente assim que você preenche as lacunas do seu jogo.
Na prática, se depois de dois ou três treinos você se sente visivelmente menos preocupado em uma posição que antes te apavorava, seu nível subiu consideravelmente. E muitas vezes mais do que alguém que treina quatro vezes por semana mas rola no piloto automático.

Fora do tatame: evoluir sem treinar
É aqui que se faz a verdadeira diferença entre quem progride treinando JJB duas vezes por semana e quem estagna. O que você faz entre os treinos importa tanto quanto os treinos em si. Para quem treina JJB duas vezes por semana, essa disciplina fora do tatame é o verdadeiro diferencial. Não precisa de horas — 15 a 20 minutos são suficientes. Contudo, é preciso regularidade.
O método de vídeo: simples e devastador
A internet está cheia de vídeos de JJB. O problema não é falta de conteúdo — é excesso. Quando você só treina duas vezes por semana, precisa ser seletivo. Aqui está o método que recomendamos:
Escolha uma única técnica simples. Não uma técnica espetacular vista no Instagram — uma técnica básica que você encontra frequentemente nos randoris. Por exemplo, uma saída de side control ou uma passagem de guarda.
Em seguida, assista dois ou três vídeos diferentes dessa mesma técnica, de preferência com instrutores diferentes. Cada um explica de um jeito, e consequentemente os detalhes variam — é justamente isso que enriquece sua compreensão.
Por fim, no próximo treino, tente aplicar essa técnica em cada randori. Peça rounds posicionais se necessário. Depois de algumas sessões, essa técnica vai fazer parte natural do seu jogo. É simples assim — mas exige disciplina.
A armadilha é fazer o contrário: ver uma técnica chamativa, tentar uma vez, falhar e partir para outra. Isso é zapping técnico, e não leva a lugar nenhum.
Anotar depois de cada aula
Parece coisa de escola, mas na prática funciona muito bem. Depois de cada treino, anote em poucas linhas: a técnica vista na aula, um ou dois detalhes importantes, e o que funcionou (ou não) nos randoris. Cinco minutos são suficientes.
O ideal é rever essas anotações nas 24 horas seguintes à aula. Mesmo uma releitura rápida fixa as informações de forma muito mais eficiente do que simplesmente esperar o próximo treino. Com o tempo, esse caderno vira uma mina de ouro — você pode acompanhar seus progressos, identificar padrões recorrentes e ajustar o trabalho de acordo.
O dummy: um investimento que compensa
Se você tem espaço em casa, um boneco de treino (dummy) pode fazer uma diferença real. Ele nunca vai substituir um parceiro de verdade, mas permite repetir movimentos, suavizar transições e construir memória muscular. É particularmente útil para passagens de guarda, transições para montada e certas finalizações.

Mesmo sem dummy, um tapete no chão já é suficiente para rever movimentos a seco, trabalhar mobilidade ou fazer drills básicos. Esse tipo de disciplina complementar é, de fato, o que separa dois praticantes com o mesmo número de treinos semanais.
Sua semana tipo treinando JJB duas vezes por semana
Aqui está um exemplo de semana estruturada para tirar o máximo de duas sessões. Não é obrigação — é um modelo. Adapte ao seu ritmo.
| Dia | Atividade | Duração |
|---|---|---|
| Segunda | Estudo em vídeo (1 técnica, 2-3 vídeos) | 15-20 min |
| Terça | 🥋 Treino #1 (com objetivo definido) | 60-90 min |
| Quarta | Anotações pós-treino + releitura | 10 min |
| Quinta | Mobilidade / dummy / drills a seco | 15-20 min |
| Sexta | 🥋 Treino #2 (com objetivo definido) | 60-90 min |
| Sábado | Anotações + visualização mental | 10 min |
| Domingo | Descanso ou replay de competição (UFC BJJ, IBJJF) | Livre |
O ponto principal é que os dias sem treino não são dias perdidos — são dias de preparação. No domingo à noite, por exemplo, assistir a um replay do UFC BJJ ou uma luta clássica de Marcelo Garcia não é entretenimento passivo — é estudo. Observe como os melhores lidam com transições, timing e pegadas. Isso alimenta sua compreensão do jogo de maneira considerável.
Montar um plano de estudo de várias semanas
O erro mais comum de quem treina pouco é o zapping técnico. Você assiste um vídeo na segunda, outro na quarta, tenta algo no treino de sexta — e depois de um mês, nada realmente fixou. Para evitar essa armadilha, portanto, é preciso um mínimo de estrutura.
Veja um exemplo de plano em quatro semanas:
Semana 1: Saídas de side control (fuga de quadril, underhook, retorno à guarda).
A segunda semana é dedicada a ataques da guarda fechada (triângulo, armbar, hip bump sweep).
Semana 3: Passagens de guarda simples (knee cut, torreando).
Por fim, a quarta semana foca no controle da montada e finalizações (armbar, cross choke, americana).
A lógica é construir cadeias entre suas técnicas. Primeiro, você aprende a escapar do side control. Depois, trabalha o que pode fazer uma vez de volta na guarda. Em seguida, inverte os papéis e passa a guarda. Finalmente, finaliza da montada. Em quatro semanas, você cobriu um ciclo completo — e cada peça se encaixa.
Essa abordagem funciona em todas as faixas. Brancas trabalham o básico, azuis afinam os encadeamentos, roxas e acima refinam os detalhes. O princípio, portanto, permanece o mesmo: lógica, paciência e repetição.

Perguntas frequentes sobre treinar JJB duas vezes por semana
Dá para evoluir com apenas um treino por semana?
Sim, embora naturalmente seja mais lento. Com uma única sessão, a retenção técnica cai entre as aulas. No entanto, aplicando os métodos descritos aqui (vídeo, anotações, visualização), você compensa boa parte desse déficit. O essencial, no entanto, é não desistir — mesmo com um treino por semana, em cinco anos você terá acumulado mais de 250 sessões.
Precisa complementar com musculação?
Não é indispensável, mas sem dúvida ajuda. Mobilidade e core são mais importantes que força bruta no JJB. Se tiver tempo, priorize exercícios funcionais: agachamento, ponte de quadril, treino de grip e alongamento. Yoga também é um excelente complemento — muitos competidores de alto nível praticam regularmente.
Quanto tempo para a faixa azul treinando duas vezes por semana?
Em média, entre 2 e 3 anos. É um pouco mais do que com 3-4 treinos semanais, mas a diferença é menor do que se imagina — sobretudo se você trabalha de forma inteligente entre as sessões. Para saber mais sobre o sistema de progressão, consulte nosso artigo sobre as faixas no jiu-jitsu.
Como não esquecer as técnicas entre dois treinos?
Três ferramentas: anotações escritas (mesmo breves), revisão em vídeo nas 24 horas seguintes, e visualização mental. Combinadas, elas fixam as técnicas de forma muito mais eficiente do que a simples repetição no tatame. Acrescente um dummy se tiver um, e a retenção melhora ainda mais.
Nossa opinião no BJJ-Rules
Vamos ser diretos: a maioria das pessoas que treinam JJB não são competidores profissionais. São pais, trabalhadores, estudantes equilibrando mil compromissos. Treinar JJB duas vezes por semana é a norma — não a exceção. E, acima de tudo, é perfeitamente suficiente para evoluir, desde que haja método.
O jiu-jitsu é um aprendizado de longo prazo. Praticantes que treinam seis vezes por semana durante seis meses e depois somem progridem menos, no final das contas, do que quem vem duas vezes por semana durante cinco anos. A constância vence o volume. Isso vale para as faixas, vale para a técnica, e vale para o prazer que se sente no tatame.
Então não se culpe. Pelo contrário, organize-se, seja intencional e confie no processo. O tatame sempre vai estar lá quando você puder voltar. E cada treino conta — principalmente quando você só tem dois.

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