Europeu IBJJF 2026: Equipe Francesa Entra em Cena
O Campeonato Europeu IBJJF começa em Lisboa, e como todo ano, marca um momento chave na temporada de jiu-jitsu brasileiro. Um encontro especial. Longo, exigente, às vezes cruel, mas...

O Campeonato Europeu IBJJF começa em Lisboa, e como todo ano, marca um momento chave na temporada de jiu-jitsu brasileiro.
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Um encontro especial. Longo, exigente, às vezes cruel, mas sempre revelador.
Esta edição não é exceção, com uma forte delegação francesa nos tatames portugueses, pronta para competir no mais alto nível europeu. Uma equipe que chega em Lisboa com preparação meticulosa, mentalidade afiada e uma ambição clara: mostrar que o jiu-jitsu francês não está mais aqui para observar, mas para se impor.
O Europeu IBJJF, um Teste em Grande Escala
O Europeu nunca é apenas mais um campeonato.
Nível é denso, as chaves muitas vezes intermináveis, e o menor erro tem um custo alto. Para muitos atletas, é o primeiro grande evento da temporada. Uma oportunidade de marcar presença, validar meses de trabalho ou enfrentar os melhores do continente.
Para alguns, é um objetivo em si; para outros, um passo rumo ao Mundial. Para todos, é uma prova de fogo.
O formato é exigente. As lutas se sucedem, a fadiga se acumula e é preciso aguentar a longa jornada. Mentalmente tanto quanto fisicamente. É aqui que se revelam os atletas capazes de manter seu nível sob pressão, luta após luta.
E este ano, a França chega com uma delegação ambiciosa.
Último Encontro: “Em 15 Dias, Lisboa é Nossa”
Dias antes da competição, a CFJJB compartilhou um vídeo do último camp de preparação da equipe francesa organizado na Unik, por ocasião da inauguração de suas novas instalações.
Três dias de trabalho intensivo.
Drill técnico sobre a guarda X e suas variações, sparring temático, preparação mental com Guillaume Baudoin, análise coletiva de vídeo com Vincent Nguyen. Tudo foi examinado minuciosamente. Mais uma vez, cada detalhe conta.
O timing foi cuidadosamente escolhido: duas semanas antes do Europeu. Não muito perto para evitar lesões de última hora, não muito longe para manter o ritmo de preparação. A maioria das equipes francesas e internacionais realiza seus camps de preparação durante este período. É o momento ideal.
Desde a primeira sessão, o tom é definido.
“O objetivo é chegar em forma. Sem lesões, sem bobeiras, sem ego,” lembra Vincent ao grupo reunido. “Não importa se você é o mais forte do grupo. O que importa é que você se torne campeão europeu em algumas semanas.”

A mensagem é clara: não estamos aqui para brilhar na frente dos outros. Estamos aqui para progredir juntos e chegar em Lisboa nas melhores condições.
“Você deve ser o ator do seu sucesso, eu não posso fazer isso por você.” (Mathias Jardin)
Sem complacência. Sem meias medidas.
“Agora eu quero ver lutadores famintos no tatame. Se eu posso reverter 10 vezes, eu reverto 10 vezes. Sem piedade, estou puxando todos para cima.”
O padrão está estabelecido. Coletivo. Atencioso, mas intransigente.
Trabalho Técnico Preciso: Guarda X no Centro da Preparação
A escolha dos temas técnicos não é aleatória.
“Como tivemos alguns pequenos problemas nas competições de preparação contra a X, contra a X modificada, estamos revisando as posições por cima, as diferentes formas de passagem,” explica Mathias.
O objetivo: fornecer soluções. Por baixo, por cima. Gerenciar bem o centro de gravidade, entender os pontos de alavanca, dominar as transições entre single X e guarda X.
“Hoje estamos focando em conceitos mecânicos. Então posição do centro de gravidade, onde está a pressão, quais são as alavancas para reverter o oponente.”

Não apenas técnica pela técnica. Mas compreensão. Mecânica corporal. Detalhes que fazem a diferença no mais alto nível.
E acima de tudo, compartilhamento.
“São caras que já têm um nível, que já têm uma compreensão desta técnica. Então não estamos ensinando nada a eles. Mas estamos detalhando a posição juntos, nos alimentando uns dos outros, adicionando pequenos detalhes que farão a diferença para todos,” explica Baptiste Landais, técnico da equipe.
Esse é o espírito do camp. Compartilhar. Enriquecer uns aos outros. Puxar todos para cima.
Preparação Mental no Centro do Projeto
Além da técnica, este camp enfatizou a identidade do lutador.
Guillaume, preparador mental, conduziu várias sessões com o grupo. Não apenas para “motivar”, mas para construir, para ancorar.
“Qual é o lutador que eu quero me tornar?”
Cada atleta teve que identificar três palavras-chave. Três qualificadores que definem o lutador que ele é, ou quer ser.
Trabalhador. Humilde. Imprevisível. Combativo. Criativo. Flexível. Fluido.
“Deve haver essa noção de ‘eu quero’. E talvez haja um qualificador que seja seu objetivo final, que hoje você ainda não consegue incorporar.”

Depois as emoções. Aquelas que você sente no dia.
Empolgação. Determinação. Gratidão. Humildade. Medo. Raiva. Orgulho. Fadiga. Alívio.
Todas essas emoções foram nomeadas, aceitas, integradas. Porque fazem parte da luta. E você precisa aprender a usá-las, não sofrer com elas.
“Quando você chega a uma competição, você não está lutando contra a competição, você está lutando contra um adversário. Vou fazer o que faço todos os dias. Vou subir em um tatame, vou cumprimentar um cara ou uma mina e vou lutar.”
Trazendo as coisas de volta ao concreto. Desmistificando o evento sem diminuir sua importância.
“Quando meus braços estão queimando, quando fica difícil, quando estou atrás no placar, a pergunta que me faço é: posso dar mais um passo?”
E finalmente à noite, no tatame, instrução clara:
“As palavras-chave que você colocou para o lutador que quer ser, você tenta incorporá-las em cada treino que fizer esta noite e em cada sparring.”
Não apenas palavras no papel. Mas uma incorporação física, mental, emocional.
“Agora vocês estão se condicionando para o Campeonato Europeu. Começa agora. Queremos ver lutadores, determinados a vencer.”
“Fazer História”
No último dia do camp, após três dias intensos, o grupo se reúne uma última vez.
Léon Larman, um dos atletas mais experientes da equipe francesa, toma a palavra. Visivelmente emocionado.
“Primeiro, obrigado a todos. Tenho várias emoções se misturando agora, mas parabéns Rémy (Rémy Marcon, fundador da Unik, ed.) pelo que você fez. Por tudo que vocês fazem na Unik, saiba que você me inspira tremendamente e eu realmente gostaria de seguir seus passos depois da minha carreira.”
Depois ele continua:
“Estamos fazendo algo… porque muitas vezes estive sozinho competindo neste nível, e não tinha muito apoio atrás de mim. E hoje, ter pessoas que realmente trabalham, que me encorajam… isso me dá vontade de realmente fazer história.”
Ele faz uma pausa.
“E se não for eu quem a faz, não sei, outra pessoa, mas vou fazer de tudo para fazê-la. Eu realmente acredito nisso.”
Aplausos irrompem. A emoção é palpável.

Baptiste conclui com uma frase simples, mas poderosa:
“Vou terminar com a frase que me inspira: não importa de onde você vem, o sucesso pertence a todos.”
Então Rémy encerra o camp:
“Em 15 dias, e que fique bem claro para todos, em 15 dias, Lisboa é nossa.”
Lisboa é nossa.
Uma Geração Francesa se Afirmando
Há várias temporadas, o jiu-jitsu francês vem avançando.
Discretamente às vezes, mas com certeza.
A França não viaja mais apenas para aprender ou observar.
Agora está presente para se expressar, com perfis variados, estilos diferentes e real continuidade no trabalho dos clubes.
Centros de excelência estão se formando. Moka Team 443, Unik, Ronin Fight Team, The Coaching Lab… Clubes que treinam, supervisionam, acompanham. Não apenas tecnicamente, mas humanamente também.

“Como sempre dizemos, a França ainda é um país muito pequeno no jiu-jitsu infelizmente. Nosso objetivo é que um dia a França não seja mais, graças a vocês, graças a nós, todos juntos,” conclui Vincent.
Essa mentalidade faz a diferença. Essa capacidade de trabalhar juntos, de puxar uns aos outros para cima, de considerar cada progresso individual como uma vitória coletiva.
O Europeu como plataforma de expressão, não de aprendizado.
Este Campeonato Europeu não é mais apenas uma etapa formativa.
Está se tornando uma plataforma de expressão, onde os franceses assumem cada vez mais seu lugar, suas ambições e sua identidade técnica.
O nível está lá.
Agora resta trazê-lo à vida nos tatames!
Hora de Ir para o Tatame
A partir de amanhã, tudo será decidido luta após luta.
Sem previsões aqui.
Apenas uma certeza: cada momento no tatame conta, cada experiência molda o que vem a seguir.
Boa sorte a todos os atletas franceses competindo no Europeu IBJJF.
Aproveitem o momento.
Deem tudo de si.
Confiem em vocês mesmos.
Qualquer que seja o resultado, representar seu país neste nível, após meses, anos de trabalho, já é uma forma de vitória… vocês já estão fazendo História, a do Jiu-Jitsu Brasileiro Francês!
Em breve no BJJ-Rules: Um artigo de recap seguirá a competição para cobrir performances, resultados e destaques do Campeonato Europeu IBJJF 2026.
Para concluir, boa sorte a todos. 🥋



