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Le média passionné 100 % jiu-jitsu. Actualités, histoires & portraits du jiu-jitsu brésilien.

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Aurélie Le Vern, da Guiana ao Cinturão do UFC BJJ

Las Vegas, 11 de dezembro de 2024 — No icônico “bowl” do UFC APEX, sob os holofotes de Las Vegas, Aurélie Le Vern acabou de escrever uma das mais belas páginas da história do jiu-jitsu...

Bjj-Rules
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23 dezembro 2025 14 Min Read
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article bjj rules aurélie le vern

Las Vegas, 11 de dezembro de 2024 — No icônico “bowl” do UFC APEX, sob os holofotes de Las Vegas, Aurélie Le Vern acabou de escrever uma das mais belas páginas da história do jiu-jitsu brasileiro francês. Aos 34 anos, a lutadora da Guiana Francesa se tornou a primeira campeã francesa do UFC BJJ na categoria peso-pena (-65,7 kg), vencendo por finalização no primeiro round contra a americana Raquel Canuto, multicampeã internacional.

Table Of Content

  • UFC BJJ: Quando o Jiu-Jitsu Encontra o Grande Show
  • Do Jardim Sob a Chuva ao Topo Mundial
  • As Palavras Que Mudaram Tudo
  • Aurélie Le Vern: Um Histórico Excepcional em Cada Faixa
  • A Aposta de Deixar Tudo
  • 2024: O Ano de Todas as Conquistas
  • O Momento Parisiense Que Mudou Tudo
  • A Filosofia do Alto Nível: “Matérias Escolares”
  • Tyrone Gonsalves: O Professor Que Forma Campeões
  • Six Blades: Mais Que um Clube, uma Família
  • Mulher em um Mundo de Homens: Combatendo o Ego Diariamente
  • O Camp de Treinamento: Preparação à Perfeição
  • A Escolha Difícil: UFC ou ADCC?
  • Uma Equipe de Campeões
  • O Futuro: Defender o Cinturão e Construir um Legado
  • Uma Mensagem para a França e Além
  • Histórico Completo de Aurélie Le Vern

A vitória foi espetacular: após 3 minutos e 30 segundos de combate de intensidade rara, Le Vern aplicou uma kimura devastadora que obrigou Canuto a desistir. Uma técnica que ela havia praticado “noite e dia” durante seu camp de treinamento. Esta performance também lhe rendeu o título honorário de “Finalização da Noite”.

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Raquel Canuto à esquerda, Aurélie Le Vern à direita

Envolta na bandeira da Guiana Francesa nos ombros, os olhos brilhando de emoção, Aurélie saboreou um momento que transcende o simples resultado esportivo. “Não tenho palavras para descrever o que sinto. Coloquei todo o meu trabalho nesta finalização. Escrevi meu nome na história. Não apenas o meu, mas também o de Tyrone (Gonsalves), o da Six Blades, o da Guiana Francesa, o da minha família.”

E quando o entrevistador menciona sua mãe, Aurélie revela toda a profundidade do que ela carrega: “Este é o mais belo presente de Natal que posso dar a ela.”

Finalmente, Aurélie disse “O jiu-jitsu é mágico”, então o BJJ-Rules gostaria de acrescentar que naquela noite, Aurélie, foi você que foi mágica!

UFC BJJ: Quando o Jiu-Jitsu Encontra o Grande Show

Esta vitória tem uma dimensão histórica em vários níveis. O UFC BJJ representa a ambição de Dana White de elevar o jiu-jitsu brasileiro ao nível dos esportes de combate espetaculares e lucrativos. O formato empresta tudo do UFC tradicional: um “bowl” inclinado que impede as saídas do tatame e força a ação contínua, regras favorecendo a combatividade e a finalização em vez da pontuação.

“É jiu-jitsu brasileiro formato UFC,” explica Aurélie Le Vern. “A finalização é o caos. As regras incentivam a ação, a pressão, as finalizações. Combina perfeitamente com o meu jogo.”

Diante dela estava Raquel Canuto, que já tinha várias vitórias no UFC BJJ nesta divisão. Mas desde os primeiros segundos, Le Vern impôs seu ritmo, apesar da agressividade e poder de Raquel. “Tyrone e Xande (Ribeiro) estavam me orientando do corner. Eles me diziam para ir mais para a cabeça, apertar mais ainda. O braço dela estalou. Consegui a finalização.” (Que prazer ouvir coaching em francês no UFC BJJ!)

Aurélie Le Vern se torna assim a primeira atleta francesa a conquistar um cinturão do UFC BJJ, um título que ficará para sempre associado ao seu nome.

Do Jardim Sob a Chuva ao Topo Mundial

No entanto, nada predestinava Aurélie Le Vern a se tornar uma das melhores grapplers de sua geração. Nascida em 12 de julho de 1991 em Aix-en-Provence, ela cresceu em Marselha praticando esportes radicais: escalada, mountain bike downhill, alpinismo em alta altitude (mais de 5.200 metros no México), parapente, motocross, windsurf…

O Judô Que Não a Amava

Antes do jiu-jitsu, Aurélie tentou três vezes começar no judô em Marselha. Cada vez, o mesmo cenário: faixas-pretas que, diante desta jovem mulher forte e determinada, a projetavam violentamente no chão. “Fui machucada duas ou três vezes. Tive o ombro rasgado, tive que fazer cirurgia. Eu pensava: o judô não gosta de mim.”

O Chamado da Guiana

Em 2016, após seu diploma em educação física, ela voou para a Guiana Francesa onde um cargo de professora na escola Gérard Holder a esperava. Ela se inscreveu no judô por um ano, conquistou sua faixa azul. Mas foi ao observar as aulas de jiu-jitsu brasileiro ministradas por Tyrone Gonsalves, no mesmo dojo de Suzini em Remire-Montjoly, que nasceu a revelação.

Em setembro de 2017, aos 26 anos, uma idade considerada tardia no mundo do JJB de alto nível, Aurélie atravessou a porta de sua primeira aula de jiu-jitsu brasileiro.

Aurelie Le Vern Tyrone Gonsalves
Tyrone Gonsalves e Aurélie Le Vern

As Palavras Que Mudaram Tudo

Seu passado em esportes radicais forjou armas insuspeitas: força de pegada, resistência, gerenciamento de estresse. Desde seu primeiro ano como faixa branca, ela dominou: quatro torneios vencidos, todas as oponentes finalizadas.

Mas foi um encontro que cristalizaria sua ambição. Em 2019, quando era faixa azul, ela ouviu Saulo Ribeiro, lenda viva do jiu-jitsu brasileiro, dizer estas palavras sobre ela:

“Se ela continuar aprendendo e ouvindo tudo o que seu professor lhe diz, ninguém poderá vencê-la mais tarde. Ela vai se tornar formidável.”

“Quando Saulo disse isso, pensei: Meu Deus. Se Saulo diz isso, é porque ele vê meu potencial. Foi algo realmente especial.”

Nesse mesmo ano de 2019, ela conquistou o título de campeã europeia IBJJF como faixa azul. “Foi essa vitória que acendeu tudo. A partir desse momento, decidi perseguir o JJB ainda mais intensamente.”

Saulo Ribeiro Gracie Jiu Jitsu Bjj Egjjf Self Defense Grappling
Saulo Ribeiro

Aurélie Le Vern: Um Histórico Excepcional em Cada Faixa

O que se seguiu foi uma sucessão de títulos:

2019 (faixa azul): Campeã Mundial IBJJF, Campeã Europeia (incluindo Absoluto), Campeã Pan-Americana

2020 (faixa azul): Campeã Europeia IBJJF

2021 (faixa roxa): Campeã Mundial IBJJF, Vice-campeã Mundial (Absoluto)

2022 (faixa marrom): Campeã Mundial IBJJF, Ouro duplo no Pan-Americano (peso e absoluto), Vice-campeã Mundial No-Gi

O Jardim do Fred: Onde Nascem os Campeões

Mas por trás desses títulos se esconde uma realidade que poucos imaginam. “Para ganhar meu campeonato mundial de faixa roxa, eu estava treinando no jardim de um amigo.”

Antes de ter seu dojo atual—um magnífico espaço de 200m² a dois minutos da praia—Aurélie e Tyrone treinavam em condições precárias. Expulsos das instalações municipais, encontraram refúgio na casa de Frédéric Cocasson, um aluno que se tornou amigo.

“Montávamos os tatames no jardim dele,” lembra Tyrone. “Ao meio-dia, colocávamos, treinávamos, tirávamos porque chove muito na Guiana. À noite, fazíamos de novo. Treinamos na chuva várias vezes porque quando a tempestade chegava, continuávamos.”

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Aurélie acrescenta: “Ganhei meu campeonato mundial de faixa roxa treinando assim. Todos os dias, durante meses. Quando você realmente quer algo do fundo do seu coração, não importa onde e com quem você treina.“

Em janeiro de 2023, após apenas 5,5 anos de prática, Aurélie recebeu sua faixa-preta das mãos de Tyrone Gonsalves… no pódio do Campeonato Europeu IBJJF.

A Aposta de Deixar Tudo

Nesse mesmo ano, Aurélie tomou a decisão mais difícil de sua vida: ela se demitiu do sistema de Educação Nacional, onde tinha estabilidade. “Todo o meu salário ia para os campeonatos. Tive uma vida dupla até minha faixa-preta. Se eu realmente queria saber até onde poderia ir, tinha que dar tudo.”

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Tyrone se lembra: “Antes de cada campeonato importante, sempre havia algo. Ou ela se machucava alguns dias antes, ou recebia uma ligação sobre sua mãe, ou ficava doente. Como você lida com essa adversidade mostra quem você é.“

A aposta valeu a pena. Em seu primeiro ano como faixa-preta: bronze no Pan Championship IBJJF e no Mundial IBJJF 2023.

2024: O Ano de Todas as Conquistas

O ano de 2024 marcou uma virada decisiva:

  • Janeiro: Ouro no Campeonato Europeu IBJJF (faixa-preta)
  • Abril: Classificação histórica para o ADCC World Championship (13 anos após Nicolas Reigner)
  • Maio: Primeira aparição no UFC BJJ contra Helena Crevar (derrota por decisão)
  • Julho: Vitória no UFC BJJ contra Maggie Grening por finalização em menos de um minuto
  • Agosto: ADCC World Championship — derrota no primeiro round contra Crevar
  • Outubro: Ouro duplo no Campeonato Europeu No-Gi IBJJF — “Estava na França cuidando da minha mãe hospitalizada. Pensei: já que estou aqui, por que não competir”
  • Novembro: Vitória decisiva contra Ana Carolina Vieira no ADXC 7 no Rio

A Revanche Mental: Vencer Quem Ganhou o ADCC

Esta vitória contra Ana Carolina Vieira teve uma importância capital. “Ela acabara de ganhar minha divisão no ADCC. Sinceramente, isso me ajudou muito mentalmente.”

“Depois da minha derrota no primeiro round do ADCC contra Crevar, vivi uma vibe louca por dois meses no Melqui [Galvão]. Tinha realmente progredido. Quando perdi, destruiu tudo. Esta luta contra Ana Carolina foi minha oportunidade de colocar em prática tudo o que aprendi.”

“Quando ganhei isso, me colocou de volta ao topo. Senti que tinha as capacidades. Ela não era mais forte que eu, nem mais técnica. Todas as possibilidades se reabriram. É mágico.“

O Momento Parisiense Que Mudou Tudo

Durante a final do Campeonato Europeu 2024 em Paris, no último minuto da luta, toda a arena começou a cantar seu nome. Seu rosto apareceu no telão. Todo o Palais des Sports vibrava.

Aurélie se tornou naquele dia a primeira mulher (e uma das raras atletas francesas, todos os gêneros combinados) a gerar tal fervor em uma competição de JJB deste calibre.

“Nunca vou esquecer aquele momento. Foi como se toda a jornada fizesse sentido completo. Não estava mais lutando apenas por mim, mas por todos que me apoiaram, pela Guiana, pela França.”

A Filosofia do Alto Nível: “Matérias Escolares”

Como se chega ao topo? Aurélie desenvolveu uma visão única do alto nível. “Não há plano milagroso. Nenhum livro que explique como chegar lá. O que frustra as pessoas na França é que não estamos acostumados com isso.”

Seu método? Tratar cada aspecto da performance como uma “matéria” a dominar:

Preparação Física

“É o mais fácil. Você vai para a academia, eles dizem para fazer cinco séries de 12 repetições. Se você não fizer, você é idiota. Força, velocidade, explosividade, resistência, cardio.”

Técnica de JJB

“Você tem que ser completo. Técnica por baixo, por cima, nas finalizações, nas passagens de guarda.”

Preparação Mental (A Mais Importante)

“É a mais difícil porque é muito sutil. Não é tão físico quanto um peso de 5 kg. A preparação mental é terapia de vida. Se você não está bem consigo mesmo, não pode performar.”

“É muito fácil treinar fisicamente. Para os músculos, você sabe o que fazer. Mas seus pensamentos? Poucas pessoas conseguem dizer: estou descansada mentalmente.“

Le Vern BJJ
Aurélie Le Vern

Gestão e Coordenação

“O mais importante: quem vai coordenar tudo isso para você? Para mim, essa pessoa é o Tyrone. Disse a ele desde o início: me leve o mais alto que eu puder performar.”

Sua filosofia: “Sempre escolho a dificuldade. A escolha fácil não dará frutos.”

Suas Inspirações

Aurélie se inspira em Tim Grover, o lendário treinador de Michael Jordan. “Ele escreveu um livro que me impactou muito: Winning. Ele personifica ‘vencer’ como um personagem maléfico. Mesmo que você faça tudo certo, não significa que você vai performar. E quando você consegue apertar a mão de Winning, um segundo depois, ele te dá uma facada nas costas. Quando ele soltou sua mão, você tem que começar tudo de novo.”

Ela até fez uma tatuagem: “Raised to greatness” (Criada para a grandeza).

Tyrone Gonsalves: O Professor Que Forma Campeões

Tyrone Gonsalves é um pioneiro do jiu-jitsu na Guiana Francesa. Praticando há 18 anos, faixa-preta há 14 anos, sua trajetória é notável:

  • Vice-campeão Europeu IBJJF
  • Campeão Pan-Americano
  • Vice-campeão Absoluto no Campeonato Brasileiro
  • 2x Campeão Mundial CBJJE

“Por 7-8 edições dos Campeonatos Europeus, perdi no primeiro round. Então entrei para a Team Ribeiro. Três ou quatro meses depois, primeiro pódio. A mudança de ambiente mudou tudo.“

Tyrone Gonsalves bjj rules
Tyrone Gonsalves

Sua Filosofia de Ensino

“Um atleta está lá para ouvir e executar. O que vejo hoje é que as pessoas praticam um ou dois anos e já querem dar sua opinião. Quando você quer impor seu ponto de vista, suprime o papel da pessoa que te guia.”

Ele usa uma metáfora simples: “É como um bebê que aprende a andar antes de querer correr. Vamos cair. Mas cada vez, voltamos ao clube para ajustar.”

Seu conselho: “Se colocar em postura de aluno. Venho assistir uma aula, vou ouvir.”

Six Blades: Mais Que um Clube, uma Família

O clube Six Blades é um dojo de 200m², dois tatames, um galpão aberto numa propriedade particular a dois minutos da praia.

Valores Six Blades

Cada “lâmina” representa um valor:

  1. Família
  2. Respeito
  3. Lealdade
  4. Disciplina
  5. Atitude
  6. Honra

“Não falamos de ‘clube esportivo’, mas de escola,” insiste Aurélie. “Construímos currículos de aprendizado. Não são apenas técnicas físicas. É todo um quadro metodológico e social.”

Hoje, a Six Blades tem mais de 200 membros e cerca de dez instrutores. “O que faz nosso sucesso é a organização. Nas sombras, há cerca de dez faixas-pretas sem os quais não poderíamos alcançar o que fazemos.”

six blades bjj
Six Blades BJJ

Mulher em um Mundo de Homens: Combatendo o Ego Diariamente

A trajetória de Aurélie é também a de uma pioneira em um ambiente predominantemente masculino.

“Desde a faixa branca, se você é forte com energia, as faixas mais altas querem te desacelerar te batendo. Essa é a história de todo o meu jiu-jitsu. Fui realmente batida por todas as faixas mais altas, incluindo homens.”

Aurelie Le Verns Details

O Ego Masculino

“Sou uma mulher fisicamente forte. Mas quando um homem sente: meu Deus, ela é uma mulher e é forte, ele pensa: não posso bater para uma mulher porque sou homem. Essa foi toda a história do meu jiu-jitsu.”

“Fui machucada várias vezes contra homens que não queriam bater ou que queriam me fazer bater a qualquer custo.”

Anthony Albertini, pioneiro do JJB na Guiana, dizia aos seus alunos: “Com ela, faça como com um cara, ou você vai ser massacrado.”

“Isso significava que minha força como mulher não era legítima. Os homens não percebem o quanto é possível uma mulher ser forte, uma mulher ser mais técnica, uma mulher ser melhor treinada.”

O Papel de Tyrone

“Tyrone foi o personagem principal nesta história. Eu falava com ele todos os dias: tenho medo porque sei que as pessoas querem me machucar. E ele me dizia: mas você sabe muitas coisas agora, aplique as técnicas.”

“Quando você confia em alguém que te diz coisas para te fazer crescer, é uma das melhores coisas do mundo.“

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Aurélie Le Vern e Tyrone Gonsalves

A Evolução do Jiu-Jitsu Feminino

“Durante minhas faixas coloridas, havia apenas uma ou duas garotas comigo. Ganhei todos os meus campeonatos mundiais treinando com homens.”

Mas ela agora reconhece a importância de treinar com mulheres: “A primeira vez que competi contra mulheres, pensei: uau, elas são flexíveis, as passagens que eu fazia nos caras não funcionam. É um corpo diferente.”

“Hoje, Anna Rodriguez abriu uma academia inteiramente feminina em São Paulo. O nível feminino mundial explodiu tanto. Helena Crevar é um prodígio. Você precisa sentir uma mulher quando é mulher.“

O Camp de Treinamento: Preparação à Perfeição

Para preparar sua luta contra Raquel Canuto, Aurélie deixou a Guiana para o Rio de Janeiro, no Pyramid Grappling.

“Não posso ficar na Guiana para esse tipo de luta. Quando fico lá, tenho muito trabalho. Sou dona do clube, dou muitas aulas. Sair desse ambiente me permite voltar à vida de atleta 100%.“

Trabalho Específico: Luta Olímpica

“Escolhi o Pyramid também porque eles têm um professor de wrestling muito bom. Acho que a luta vai acontecer muito em pé. Fiz aulas particulares para tornar minha luta a melhor possível.”

Tyrone lembra: “Para a elite, você precisa estar cercado de matadores. O camp deve estar à altura. Para o ADCC, são snipers. Não há espaço para dúvida.“

Le Vern Nogi

O “Bowl” do UFC: Uma Vantagem

“Já lutei duas vezes neste bowl. A grande vantagem é que você não pode escapar. Para o meu jogo de pressão, é perfeito. Não é apenas uma parede, é uma curva. Você desliza para o meio.“

A Escolha Difícil: UFC ou ADCC?

Aurélie já assinou outro contrato com o UFC. Se ela mantiver seu cinturão, não poderá participar do ADCC Trials 2025.

“Foi uma escolha difícil. Mas nunca perco uma oportunidade. E já fiz tantos torneios.”

Razões Pragmáticas

“Ter esse tipo de contrato é bom para focar e ser mais saudável. A vida de atleta de jiu-jitsu é muito dura. Já tive muitas lesões.”

“E o UFC me paga muito mais do que outros torneios. Não sou tão jovem para continuar fazendo coisas loucas. Preciso pensar em colocar comida na mesa.“

Uma Equipe de Campeões

Por trás da vitória de Aurélie, há toda uma equipe:

  • Tyrone Gonsalves: treinador, marido, mentor
  • Xande Ribeiro: em seu corner no UFC BJJ 4
  • Bruno Bastos: empresário, “Ele me ajudou a colocar meu nome nos maiores palcos”
  • Fa Institute Anabolis: nutricionista
  • Mariela: psicóloga, “Me sinto muito melhor agora”
  • Itallo Vilardo: preparador físico
  • A Equipe Six Blades: todos os instrutores e membros

O Futuro: Defender o Cinturão e Construir um Legado

“Sou atleta do UFC BJJ agora. O futuro vai ser brilhante, vai ser incrível.”

Aurélie está considerando se mudar, talvez para o Brasil ou Estados Unidos, para continuar desenvolvendo sua carreira.

Uma Mensagem para a França e Além

Com este cinturão do UFC BJJ, Aurélie Le Vern se torna um símbolo, uma inspiração para milhares de praticantes franceses.

Sua trajetória demonstra que nunca é tarde demais para começar, que paixão e trabalho podem compensar um começo tardio, e que os sonhos mais loucos estão ao alcance.

“Quero mostrar ao mundo que as mulheres podem ser técnicas, podem ser perigosas, podem finalizar lutas com finalizações mortais. Isso é jiu-jitsu.“

Aos 34 anos, após 7 anos de prática, Aurélie Le Vern escreveu uma página indelével da história. Com a defesa de seu título prevista para 2026, a campeã da Guiana está prestes a começar um novo capítulo.

Seu nome agora ressoa em todo o mundo. Aurélie Le Vern, campeã peso-pena do UFC BJJ.

Uma pioneira. Uma guerreira. Lenda em formação.

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Histórico Completo de Aurélie Le Vern

Faixa-Preta:

  • 🥇 Campeã Peso-Pena UFC BJJ (2024) + Finalização da Noite
  • 🥇 Campeã Europeia IBJJF (2024, meio-pesado)
  • 🥇🥇 Ouro duplo Europeu No-Gi IBJJF (2024, meio-pesado + absoluto)
  • 🥇 Classificada para o ADCC World Championship (2024, via European Trials)
  • 🥇 ADXC 7 (2024, vitória sobre Ana Carolina Vieira)
  • 🥈 Vice-campeã Europeia IBJJF (2025)
  • 🥈 Vice-campeã Pan Championship IBJJF (2025)
  • 🥉 Pan Championship IBJJF (2023)
  • 🥉 Mundial IBJJF (2023)

Faixas Coloridas:

  • 🥇 Campeã Mundial IBJJF (2019 azul, 2021 roxa, 2022 marrom)
  • 🥇 Campeã Europeia IBJJF (2019 azul + Absoluto, 2020 azul, 2023 marrom)
  • 🥇 Campeã Pan Championship (2019 azul, 2022 marrom + Absoluto)
  • 🥈 Vice-campeã Mundial IBJJF (2021 roxa, Absoluto)
  • 🥈 Vice-campeã Mundial No-Gi IBJJF (2022 marrom)
  • 🥉 Mundial IBJJF (2022 marrom)

Clube: Six Blades Jiu-Jitsu (Rémire-Montjoly, Guiana Francesa)
Professor: Tyrone Gonsalves (faixa-preta)
Linhagem: Carlos Gracie > Helio Gracie > Royler Gracie > Saulo Ribeiro > Alexandre Ribeiro > Tyrone Gonsalves > Aurélie Le Vern
Posição Favorita: Pressure Passing
Divisão: Meio-Pesado / Peso-Pena (-74 kg / -65,7 kg dependendo das competições)

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