Quarta-feira 19 agosto 2026 · O jornal do JJBENFRPT

Equipe Nacional JJB da França: ambições e bastidores para 2025

No início da temporada 2025-2026, o árbitro CFJJB Wilfried Sam lança seu podcast On the Road. Para seu primeiro episódio maratona de mais de duas horas, ele recebe Kenji e Mathias Jardin para uma discussão sem filtros: seleção da Equipe Nacional Francesa, desenvolvimento do JJB na França, debates associativo vs privado, e projeções realistas para o futuro. Um verdadeiro mergulho nos bastidores, no momento em que o JJB francês experimenta um crescimento espetacular.

Um novo olhar sobre o JJB francês

Wilfried Sam não é desconhecido da comunidade. Árbitro CFJJB experiente, ele lançou On the Road como um espaço de troca e reflexão. Seu credo: “um estado de espírito, uma filosofia” para acompanhar a progressão dos praticantes, misturando técnica, tática e experiência de campo.

Boueyley Wilfried SAM

Para o episódio inaugural, ele reúne dois convidados-chave. Kenji Sette, ex-competidor e professor na BLR, conhecido também por suas arbitragens IBJJF no mais alto nível. Ao seu lado, Mathias Jardin: comentarista, fundador do BJJ Canapé, professor na Infinity, e principalmente selecionador da Equipe Nacional Francesa CFJJB com Baptiste Landais. Duas visões complementares que oferecem uma leitura lúcida do desenvolvimento francês.

Mathias Jardin cfjjb
Mathias Jardin
Kenji Sette cfjjb
Kenji Sette

Equipe Nacional Francesa revelada: juventude, performance e realismo orçamentário

A grande novidade deste podcast é a transparência sobre os critérios de seleção da Equipe Nacional Francesa. Mathias expõe uma linha clara: “É um projeto que se inscreve na duração e que repousa sobre a juventude.”

Os três pilares da seleção

  • A juventude acima de tudo: prioridade aos praticantes formados desde a infância. Objetivo: que cheguem na faixa preta com já 4 a 5 anos de experiência na Equipe Nacional.
  • O potencial de performance: “Se já na marrom você não ganha, não vai ganhar na preta.” Os resultados internacionais são prioritários sobre títulos nacionais isolados.
  • O profissionalismo: atrasos, falta de seriedade ou comportamentos inadequados afastam os candidatos, mesmo os talentosos.

Quem foi cortado… e por quê?

Nos bastidores, vários atletas promissores não foram selecionados. Razão principal: falta de resultados IBJJF no internacional, apesar de belos títulos nacionais. Exemplo citado por Mathias: um competidor adulto titulado na França mas sem impacto nos Europeus ou Mundiais. Outro motivo frequente: comportamento. Dois jovens do mesmo clube foram eliminados após um atraso de 45 minutos durante as seleções.

Um orçamento limitado mas estruturante

Sem subsídios do Estado: a Equipe Nacional Francesa funciona graças à CFJJB e ao patrocinador Kingz. Inscrições pagas, equipamentos fornecidos, às vezes até contratos de patrocínio mensal: um verdadeiro passo rumo à profissionalização. Mas com um orçamento restrito, as escolhas são apertadas. “Se tivéssemos €200.000 por ano, faríamos 15 meninas e 15 homens”, sublinha Mathias.

Quanto custa um atleta da Equipe Nacional Francesa?

Mathias dá uma ordem de grandeza: €10.000 a €15.000 por atleta por ano. Isso inclui inscrições, deslocamentos, hospedagens e equipamentos. Para comparação, um judoca da equipe nacional francesa custa entre €100.000 a €150.000, graças aos subsídios públicos. O JJB francês funciona sem essas ajudas, apoiando-se na federação e no patrocinador Kingz.

Uma seleção 2025 entre confirmações e surpresas

Lado feminino

  • Noémie GLUCK e Chloé HEYRAUD (confirmadas)
  • Janel MARINE, 15 anos, prodígio da Team CDK, capaz de vencer adultas tituladas

Lado masculino

  • Retornos: Léon LARMAN (cirurgia do quadril), Freddy LELE TALLA (questões de patrocínio resolvidas)
  • Novos: Nicolas SCHWINNINGER (campeão mundial 2024, integrado após progressão), Henrique SOARES (nível impressionante, baseado em Portugal)
  • Confirmados: Youness BENNOUALI, Ibrahim REGNIER e Mohamed REGNIER (Mohamed sendo vice-campeão mundial azul), Virgile GRANDJEAN, Lucas GAFFET (17 anos, 3º nos Europeus)
  • Jovens talentos: Noah PERNOT, Keylian PLANQUE, Tristan Bourly (15 anos)

Quem poderia ser campeão mundial em 5 anos?

Os olhares se voltam para vários nomes:

  • Nicolas SCHWINNINGER: já campeão mundial em faixas coloridas, ele encarna a progressão regular.
  • Tristan BOURLY: 15 anos, considerado “estratosférico”, ele poderia marcar sua geração.
  • Mohamed REGNIER: vice-campeão mundial azul, um sério candidato se sua progressão continuar.

Sem garantias, mas uma certeza: a futura primeira medalha mundial preta francesa virá desta nova onda.

Crianças que superam adultos

Uma constatação marcante: certos jovens de 14-15 anos já dominam adultos campeões franceses. A diferença vem da experiência acumulada: “Um adulto com 5 anos de prática não fala a mesma língua que uma criança que treina há 11 anos”, resume Mathias. A tendência é clara: daqui dez anos, o alto nível será inacessível sem um aprendizado precoce.

O JJB francês entre euforia e desafios

Um crescimento fulminante

Com 25 a 30% de crescimento anual em licenças, o JJB seduz amplamente. O MMA serviu de trampolim, mas também figuras ascendentes como Freddy, que se tornou uma referência junto aos jovens via TikTok. O JJB atrai porque permanece acessível a todas as idades.

As tensões da popularidade

Kenji se preocupa, no entanto, com uma perda dos valores marciais: “O mais difícil é educar marcialmente.” Alguns alunos adotam uma mentalidade de “clientes” mais do que de praticantes, uma mudança cultural que os professores devem gerenciar.

Associativo vs privado: o debate que cresce

O podcast destaca uma verdadeira divisão. O modelo associativo, dependente das prefeituras e de horários limitados, mostra seus limites para o alto nível. Ao contrário, as estruturas privadas (Infinity, Gracie Barra…) trazem flexibilidade, volume horário e profissionalização.

Kenji é categórico: “O alto nível não pode existir com as limitações associativas.”

França vs Estados Unidos / Brasil

Estados Unidos: cerca de quinze campeões mundiais por ano, academias privadas poderosas, um sistema educativo orientado para esporte-estudos.
Brasil: ainda uma cantera, com academias modernas e profissionais (Alliance, Atos, Gracie Barra).
França: crescimento rápido (+25% de licenciados/ano), mas ainda zero título mundial preto. A vantagem americana é estimada em 10-15 anos.

Um método de treino técnico-tático

Mathias detalha o método da Equipe Nacional Francesa: sem catálogo técnico, mas um foco nas situações concretas e no regulamento. Saídas de tatame, micro-situações, gestão estratégica: tudo é preparado para otimizar a competição. Infinity aplica a mesma lógica com seus “drills enquadrados”, onde os competidores trabalham sequências direcionadas.

Como integrar a Equipe Nacional de JJB da França?

  • Começar jovem: os selecionados frequentemente têm 10 anos de prática desde a adolescência.
  • Brilhar no internacional: visar pódios nos Europeus e Mundiais IBJJF.
  • Disciplina: pontualidade, higiene de vida, atitude profissional.
  • Trabalhar o técnico-tático: conhecer o regulamento IBJJF, repetir situações específicas.

Em resumo: a Equipe Nacional de JJB da França não é apenas uma questão de talento, mas principalmente de seriedade e constância.

Objetivo campeões mundiais: utopia ou realidade?

A questão final é colocada: “Em 5 a 10 anos, uma dezena de campeões mundiais franceses?” A resposta é clara: utopia. “Uma dezena está morta. O primeiro, já seria enorme”, corta Mathias. Kenji confirma: “Nem tenho certeza de que teremos o primeiro em preto em 5 a 10 anos.”

Homenagem a Oliver Geddes

O episódio termina com uma homenagem a Oliver Geddes, figura inglesa do JJB europeu, falecido recentemente de câncer, compartilhamos também nossa tristeza, nosso respeito e condolências. Árbitro internacional, competidor titulado e pioneiro na Inglaterra, ele marcou a história e as memórias de toda uma geração. Um lembrete de que, apesar dos debates, o JJB permanece antes de tudo uma comunidade humana.

Balanço: No início de 2025, o JJB francês está numa encruzilhada. Crescimento fulminante, estruturação da Equipe Nacional de JJB da França, tensões entre associativo e privado: o podcast On the Road de Wilfried Sam se anuncia como uma nova referência para acompanhar essas evoluções. Um encontro imperdível para entender para onde vai o jiu-jitsu francês, e Bjj-Rules estará lá para acompanhar tudo isso!

O primeiro episódio está disponível desde já nas plataformas de podcast habituais.

Kenji Sette

Mathias Jardin

On the road no instagram

On the road no youtube