Equipe Nacional JJB da França: ambições e bastidores para 2025
No início da temporada 2025-2026, o árbitro CFJJB Wilfried Sam lança seu podcast On the Road. Para seu primeiro episódio maratona de mais de duas horas, ele recebe Kenji e...

No início da temporada 2025-2026, o árbitro CFJJB Wilfried Sam lança seu podcast On the Road. Para seu primeiro episódio maratona de mais de duas horas, ele recebe Kenji e Mathias Jardin para uma discussão sem filtros: seleção da Equipe Nacional Francesa, desenvolvimento do JJB na França, debates associativo vs privado, e projeções realistas para o futuro. Um verdadeiro mergulho nos bastidores, no momento em que o JJB francês experimenta um crescimento espetacular.
Table Of Content
- Um novo olhar sobre o JJB francês
- Equipe Nacional Francesa revelada: juventude, performance e realismo orçamentário
- Uma seleção 2025 entre confirmações e surpresas
- Crianças que superam adultos
- O JJB francês entre euforia e desafios
- Associativo vs privado: o debate que cresce
- Um método de treino técnico-tático
- Objetivo campeões mundiais: utopia ou realidade?
- Homenagem a Oliver Geddes
Um novo olhar sobre o JJB francês
Wilfried Sam não é desconhecido da comunidade. Árbitro CFJJB experiente, ele lançou On the Road como um espaço de troca e reflexão. Seu credo: “um estado de espírito, uma filosofia” para acompanhar a progressão dos praticantes, misturando técnica, tática e experiência de campo.

Para o episódio inaugural, ele reúne dois convidados-chave. Kenji Sette, ex-competidor e professor na BLR, conhecido também por suas arbitragens IBJJF no mais alto nível. Ao seu lado, Mathias Jardin: comentarista, fundador do BJJ Canapé, professor na Infinity, e principalmente selecionador da Equipe Nacional Francesa CFJJB com Baptiste Landais. Duas visões complementares que oferecem uma leitura lúcida do desenvolvimento francês.


Equipe Nacional Francesa revelada: juventude, performance e realismo orçamentário
A grande novidade deste podcast é a transparência sobre os critérios de seleção da Equipe Nacional Francesa. Mathias expõe uma linha clara: “É um projeto que se inscreve na duração e que repousa sobre a juventude.”
Os três pilares da seleção
- A juventude acima de tudo: prioridade aos praticantes formados desde a infância. Objetivo: que cheguem na faixa preta com já 4 a 5 anos de experiência na Equipe Nacional.
- O potencial de performance: “Se já na marrom você não ganha, não vai ganhar na preta.” Os resultados internacionais são prioritários sobre títulos nacionais isolados.
- O profissionalismo: atrasos, falta de seriedade ou comportamentos inadequados afastam os candidatos, mesmo os talentosos.
Quem foi cortado… e por quê?
Nos bastidores, vários atletas promissores não foram selecionados. Razão principal: falta de resultados IBJJF no internacional, apesar de belos títulos nacionais. Exemplo citado por Mathias: um competidor adulto titulado na França mas sem impacto nos Europeus ou Mundiais. Outro motivo frequente: comportamento. Dois jovens do mesmo clube foram eliminados após um atraso de 45 minutos durante as seleções.
Um orçamento limitado mas estruturante
Sem subsídios do Estado: a Equipe Nacional Francesa funciona graças à CFJJB e ao patrocinador Kingz. Inscrições pagas, equipamentos fornecidos, às vezes até contratos de patrocínio mensal: um verdadeiro passo rumo à profissionalização. Mas com um orçamento restrito, as escolhas são apertadas. “Se tivéssemos €200.000 por ano, faríamos 15 meninas e 15 homens”, sublinha Mathias.
Quanto custa um atleta da Equipe Nacional Francesa?
Mathias dá uma ordem de grandeza: €10.000 a €15.000 por atleta por ano. Isso inclui inscrições, deslocamentos, hospedagens e equipamentos. Para comparação, um judoca da equipe nacional francesa custa entre €100.000 a €150.000, graças aos subsídios públicos. O JJB francês funciona sem essas ajudas, apoiando-se na federação e no patrocinador Kingz.
Uma seleção 2025 entre confirmações e surpresas
Lado feminino
- Noémie GLUCK e Chloé HEYRAUD (confirmadas)
- Janel MARINE, 15 anos, prodígio da Team CDK, capaz de vencer adultas tituladas
Lado masculino
- Retornos: Léon LARMAN (cirurgia do quadril), Freddy LELE TALLA (questões de patrocínio resolvidas)
- Novos: Nicolas SCHWINNINGER (campeão mundial 2024, integrado após progressão), Henrique SOARES (nível impressionante, baseado em Portugal)
- Confirmados: Youness BENNOUALI, Ibrahim REGNIER e Mohamed REGNIER (Mohamed sendo vice-campeão mundial azul), Virgile GRANDJEAN, Lucas GAFFET (17 anos, 3º nos Europeus)
- Jovens talentos: Noah PERNOT, Keylian PLANQUE, Tristan Bourly (15 anos)
Quem poderia ser campeão mundial em 5 anos?
Os olhares se voltam para vários nomes:
- Nicolas SCHWINNINGER: já campeão mundial em faixas coloridas, ele encarna a progressão regular.
- Tristan BOURLY: 15 anos, considerado “estratosférico”, ele poderia marcar sua geração.
- Mohamed REGNIER: vice-campeão mundial azul, um sério candidato se sua progressão continuar.
Sem garantias, mas uma certeza: a futura primeira medalha mundial preta francesa virá desta nova onda.
Crianças que superam adultos
Uma constatação marcante: certos jovens de 14-15 anos já dominam adultos campeões franceses. A diferença vem da experiência acumulada: “Um adulto com 5 anos de prática não fala a mesma língua que uma criança que treina há 11 anos”, resume Mathias. A tendência é clara: daqui dez anos, o alto nível será inacessível sem um aprendizado precoce.
O JJB francês entre euforia e desafios
Um crescimento fulminante
Com 25 a 30% de crescimento anual em licenças, o JJB seduz amplamente. O MMA serviu de trampolim, mas também figuras ascendentes como Freddy, que se tornou uma referência junto aos jovens via TikTok. O JJB atrai porque permanece acessível a todas as idades.
As tensões da popularidade
Kenji se preocupa, no entanto, com uma perda dos valores marciais: “O mais difícil é educar marcialmente.” Alguns alunos adotam uma mentalidade de “clientes” mais do que de praticantes, uma mudança cultural que os professores devem gerenciar.
Associativo vs privado: o debate que cresce
O podcast destaca uma verdadeira divisão. O modelo associativo, dependente das prefeituras e de horários limitados, mostra seus limites para o alto nível. Ao contrário, as estruturas privadas (Infinity, Gracie Barra…) trazem flexibilidade, volume horário e profissionalização.
Kenji é categórico: “O alto nível não pode existir com as limitações associativas.”
França vs Estados Unidos / Brasil
Estados Unidos: cerca de quinze campeões mundiais por ano, academias privadas poderosas, um sistema educativo orientado para esporte-estudos.
Brasil: ainda uma cantera, com academias modernas e profissionais (Alliance, Atos, Gracie Barra).
França: crescimento rápido (+25% de licenciados/ano), mas ainda zero título mundial preto. A vantagem americana é estimada em 10-15 anos.
Um método de treino técnico-tático
Mathias detalha o método da Equipe Nacional Francesa: sem catálogo técnico, mas um foco nas situações concretas e no regulamento. Saídas de tatame, micro-situações, gestão estratégica: tudo é preparado para otimizar a competição. Infinity aplica a mesma lógica com seus “drills enquadrados”, onde os competidores trabalham sequências direcionadas.
Como integrar a Equipe Nacional de JJB da França?
- Começar jovem: os selecionados frequentemente têm 10 anos de prática desde a adolescência.
- Brilhar no internacional: visar pódios nos Europeus e Mundiais IBJJF.
- Disciplina: pontualidade, higiene de vida, atitude profissional.
- Trabalhar o técnico-tático: conhecer o regulamento IBJJF, repetir situações específicas.
Em resumo: a Equipe Nacional de JJB da França não é apenas uma questão de talento, mas principalmente de seriedade e constância.
Objetivo campeões mundiais: utopia ou realidade?
A questão final é colocada: “Em 5 a 10 anos, uma dezena de campeões mundiais franceses?” A resposta é clara: utopia. “Uma dezena está morta. O primeiro, já seria enorme”, corta Mathias. Kenji confirma: “Nem tenho certeza de que teremos o primeiro em preto em 5 a 10 anos.”
Homenagem a Oliver Geddes
O episódio termina com uma homenagem a Oliver Geddes, figura inglesa do JJB europeu, falecido recentemente de câncer, compartilhamos também nossa tristeza, nosso respeito e condolências. Árbitro internacional, competidor titulado e pioneiro na Inglaterra, ele marcou a história e as memórias de toda uma geração. Um lembrete de que, apesar dos debates, o JJB permanece antes de tudo uma comunidade humana.

Balanço: No início de 2025, o JJB francês está numa encruzilhada. Crescimento fulminante, estruturação da Equipe Nacional de JJB da França, tensões entre associativo e privado: o podcast On the Road de Wilfried Sam se anuncia como uma nova referência para acompanhar essas evoluções. Um encontro imperdível para entender para onde vai o jiu-jitsu francês, e Bjj-Rules estará lá para acompanhar tudo isso!
O primeiro episódio está disponível desde já nas plataformas de podcast habituais.




