Quinta-feira 10 setembro 2026 · O jornal do JJBENFRPT

Equipe Nacional JJB da França: ambições e bastidores para 2025

Na abertura da temporada 2025-2026, o árbitro da CFJJB Wilfried Sam lança seu podcast On the Road. No primeiro episódio, de mais de duas horas, ele recebe Kenji e Mathias Jardin para uma conversa sem filtro: seleção francesa, crescimento do JJB na França, debate entre clube associativo e academia privada, e projeções realistas para o futuro. Um verdadeiro mergulho nos bastidores, no momento em que o JJB francês vive um crescimento espetacular.

Um novo olhar sobre o JJB francês

Wilfried Sam não é um desconhecido na comunidade. Árbitro experiente da CFJJB, ele criou o On the Road como um espaço de troca e reflexão. Seu lema: “uma mentalidade, uma filosofia” para acompanhar a evolução dos praticantes, misturando técnica, tática e vivência de tatame.

Boueyley Wilfried Sam criador do podcast On the Road
Boueyley Wilfried SAM

Para o episódio inaugural, ele reúne dois convidados de peso. Kenji Sette, ex-competidor e professor na BLR, também conhecido por arbitrar eventos IBJJF do mais alto nível. Ao lado dele, Mathias Jardin: comentarista, fundador do BJJ Canapé, professor na Infinity e, sobretudo, treinador da seleção francesa da CFJJB com Baptiste Landais. Duas visões complementares que oferecem uma leitura lúcida do desenvolvimento francês.

Mathias Jardin cfjjb
Mathias Jardin
Kenji Sette cfjjb
Kenji Sette

A seleção revelada: juventude, performance e realismo orçamentário

A grande novidade deste podcast é a transparência sobre os critérios de seleção. Mathias apresenta uma linha clara: “É um projeto de longo prazo, construído sobre a juventude.”

Os três pilares da seleção

  • Juventude em primeiro lugar: prioridade aos praticantes formados desde a infância. Objetivo: chegar à faixa-preta já com 4 a 5 anos de seleção no currículo.
  • Potencial de performance: “Se você já não vence na marrom, não vai vencer na preta.” Resultados internacionais valem mais que títulos nacionais isolados.
  • Profissionalismo: atrasos, falta de seriedade ou comportamentos inadequados eliminam candidatos, por mais talentosos que sejam.

Quem ficou de fora… e por quê?

Nos bastidores, vários atletas promissores não foram selecionados. Motivo principal: falta de resultados IBJJF internacionais, apesar de belos títulos nacionais. Exemplo citado por Mathias: um competidor adulto campeão na França, mas sem impacto no Europeu ou no Mundial. Outro motivo frequente: o comportamento. Dois jovens do mesmo clube foram eliminados após um atraso de 45 minutos nas seletivas.

Um orçamento limitado, mas estruturante

Sem subsídios do Estado: a seleção funciona graças à CFJJB e ao patrocinador Kingz. Inscrições pagas, equipamento fornecido, às vezes até contratos mensais de patrocínio: um passo real rumo à profissionalização. Mas, com orçamento apertado, as escolhas são duras. “Se tivéssemos 200.000 € por ano, levaríamos 15 mulheres e 15 homens”, destaca Mathias.

Quanto custa um atleta da seleção francesa?

Mathias dá uma ordem de grandeza: 10.000 a 15.000 € por atleta por ano. Isso inclui inscrições, viagens, hospedagem e equipamento. Para comparar, um judoca da seleção francesa custa entre 100.000 e 150.000 €, graças aos subsídios públicos. O JJB francês funciona sem essas ajudas, apoiado na confederação e no patrocínio da Kingz.

Uma seleção 2025 entre confirmações e surpresas

No feminino

  • Noémie GLUCK e Chloé HEYRAUD (confirmadas)
  • Janel MARINE, 15 anos, prodígio da Team CDK, capaz de vencer adultas campeãs

No masculino

  • Retornos: Léon LARMAN (cirurgia no quadril), Freddy LELE TALLA (questão de patrocínio resolvida)
  • Novidades: Nicolas SCHWINNINGER (campeão mundial 2024, integrado após evolução constante), Henrique SOARES (nível impressionante, baseado em Portugal)
  • Confirmados: Youness BENNOUALI, Ibrahim REGNIER e Mohamed REGNIER (Mohamed, vice-campeão mundial na azul), Virgile GRANDJEAN, Lucas GAFFET (17 anos, 3º no Europeu)
  • Jovens talentos: Noah PERNOT, Keylian PLANQUE, Tristan Bourly (15 anos)

Quem pode ser campeão mundial em 5 anos?

Os olhares se voltam para alguns nomes:

  • Nicolas SCHWINNINGER: já campeão mundial na faixa colorida, ele encarna a progressão constante.
  • Tristan BOURLY: 15 anos, descrito como “estratosférico”, pode marcar sua geração.
  • Mohamed REGNIER: vice-campeão mundial na azul, um candidato sério se a evolução continuar.

Nenhuma garantia, mas uma certeza: a primeira medalha mundial francesa na faixa-preta virá dessa nova geração.

Crianças que superam os adultos

Uma constatação marcante: alguns jovens de 14-15 anos já dominam adultos campeões da França. A diferença vem da experiência acumulada: “Um adulto com 5 anos de treino não fala a mesma língua que um garoto que treina há 11”, resume Mathias. A tendência é clara: em dez anos, o alto nível será inacessível sem um começo precoce.

O JJB francês entre euforia e desafios

Um crescimento fulgurante

Com 25 a 30 % de crescimento anual em filiações, o JJB conquista o público. O MMA serviu de trampolim, mas também figuras em ascensão como Freddy, que virou referência entre os jovens pelo TikTok. O JJB atrai porque continua acessível em qualquer idade.

As tensões da popularidade

Kenji, porém, se preocupa com uma perda dos valores marciais: “O mais difícil é educar marcialmente.” Alguns alunos adotam uma mentalidade de “clientes” mais do que de praticantes, uma mudança cultural que os professores precisam administrar.

Associativo vs privado: o debate que cresce

O podcast escancara uma divisão real. O modelo associativo, dependente das prefeituras e de horários limitados, mostra seus limites para o alto nível. Na outra ponta, as estruturas privadas (Infinity, Gracie Barra…) trazem flexibilidade, volume de treino e profissionalização.

Kenji é direto: “O alto nível não pode existir com as restrições do modelo associativo.” Um contraponto interessante a essa posição: a trajetória da Z-Team, clube associativo eleito melhor clube da França, contada no episódio do On the Road dedicado à Z-Team.

França vs Estados Unidos / Brasil

Estados Unidos: uns quinze campeões mundiais por ano, academias privadas poderosas, um sistema educacional voltado ao esporte-estudo.
Brasil: sempre um celeiro, com academias modernas e profissionais (Alliance, Atos, Gracie Barra).
França: crescimento rápido (+25 % de federados por ano), mas ainda zero título mundial na faixa-preta. A vantagem americana é estimada em 10–15 anos.

Um método de treino técnico-tático

Mathias detalha o método da seleção: nada de catálogo de técnicas, mas foco em situações concretas e no regulamento. Saídas de área, micro-situações, gestão estratégica: tudo é preparado para otimizar a competição. A Infinity aplica a mesma lógica com seus “drills dirigidos”, em que os competidores trabalham sequências específicas.

Como entrar na seleção francesa de JJB?

  • Começar cedo: os selecionados costumam ter 10 anos de treino já na adolescência.
  • Brilhar no cenário internacional: mirar pódios no Europeu e no Mundial IBJJF.
  • Disciplina: pontualidade, estilo de vida, atitude profissional.
  • Trabalhar o técnico-tático: conhecer o regulamento IBJJF, repetir situações específicas.

Resumindo: a seleção francesa de JJB não é só questão de talento, mas sobretudo de seriedade e constância.

Meta de campeões mundiais: utopia ou realidade?

A pergunta final é feita: “Em 5 a 10 anos, uma dezena de campeões mundiais franceses?” A resposta é seca: utopia. “Uma dezena, impossível. Só o primeiro já seria enorme”, corta Mathias. Kenji confirma: “Nem sei se teremos o primeiro na faixa-preta em 5 a 10 anos.”

Homenagem a Oliver Geddes

O episódio termina com uma homenagem a Oliver Geddes, figura inglesa do JJB europeu, que faleceu recentemente vítima de um câncer. Compartilhamos nossa tristeza, nosso respeito e nossas condolências. Árbitro internacional, competidor premiado e pioneiro na Inglaterra, ele marcou a história e a memória de toda uma geração. Um lembrete de que, apesar dos debates, o JJB continua sendo, antes de tudo, uma comunidade humana.

Oliver Geddes árbitro e competidor de jiu-jitsu brasileiro

FAQ: a seleção francesa de JJB

Quem seleciona a seleção francesa de JJB?

A seleção é feita por Mathias Jardin, com o apoio de Baptiste Landais, sob a CFJJB. Três critérios guiam as escolhas: a juventude (prioridade a quem treina desde a infância), o potencial de performance internacional e o profissionalismo dos atletas no dia a dia.

Quanto custa um atleta da seleção francesa de JJB?

Segundo Mathias Jardin no podcast, um atleta custa entre 10.000 e 15.000 € por ano. Esse orçamento cobre inscrições, viagens, hospedagem e equipamento. É financiado pela CFJJB e pelo patrocinador Kingz, sem subsídios públicos, ao contrário do judô, onde um atleta da seleção custa de 100.000 a 150.000 € por ano.

Como entrar na seleção francesa de JJB?

O perfil buscado combina quatro elementos: começar cedo, obter resultados internacionais (pódios no Europeu e no Mundial IBJJF), mostrar disciplina impecável e dominar o trabalho técnico-tático ligado ao regulamento. Títulos nacionais sozinhos não bastam.

Balanço: no início da temporada 2025, o JJB francês está em um momento decisivo. Crescimento fulgurante, seleção estruturada, tensões entre modelo associativo e privado: o podcast On the Road de Wilfried Sam desponta como nova referência para acompanhar essas mudanças. Um programa imperdível para entender para onde vai o jiu-jitsu francês, e o BJJ-Rules estará lá para cobrir tudo!

O primeiro episódio (em francês) já está disponível nas plataformas de podcast.

Kenji Sette · Mathias Jardin
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