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Bia Mesquita: A Elegância Técnica do Jiu-Jitsu Feminino

Há atletas que impõem seu domínio pela potência bruta, outras por uma agressividade constante que não dá trégua às adversárias. E há aquelas, como Bia Mesquita, que dão a impressão de que tudo flui...

Dylan GALEA
Dylan GALEA
20 novembro 2025 18 Min Read
391 0

Há atletas que impõem seu domínio pela potência bruta, outras por uma agressividade constante que não dá trégua às adversárias. E há aquelas, como Bia Mesquita, que dão a impressão de que tudo flui naturalmente, de que cada movimento chega na hora certa, quase sem esforço visível, como se o jiu-jitsu lhes pertencesse desde sempre.

Table Of Content

  • Como Bia Mesquita começou no jiu-jitsu no Brasil?
  • Como a Gracie Humaitá e Letícia Ribeiro formaram Bia Mesquita?
  • Quantos títulos mundiais Bia Mesquita tem no jiu-jitsu?
  • Qual é o estilo de luta único de Bia Mesquita?
  • Contra quem Bia Mesquita fez suas maiores lutas?
  • Qual legado Bia Mesquita deixa para o jiu-jitsu feminino?
  • Como Bia Mesquita entrou no MMA e no UFC?
  • FAQ: tudo sobre Bia Mesquita
  • Conclusão: uma elegância que marcou a história do jiu-jitsu

Bia Mesquita pertence a essa categoria rara.

Quem observa suas lutas de jiu-jitsu brasileiro sente de imediato aquela sensação particular de que tudo é “limpo” na sua execução. Não há gestos forçados, nem tensão visível no rosto, nem pânico nos momentos difíceis. Ao contrário, o que se vê são decisões certas caindo na hora certa, com uma confiança tranquila que contrasta com a intensidade febril do altíssimo nível. É essa mistura única de calma aparente, precisão milimétrica e fluidez natural que fez dela uma das maiores técnicas da história do jiu-jitsu feminino.

Bia Mesquita campeã mundial de jiu-jitsu brasileiro

⚡ Ficha de identidade: Bia Mesquita

  • Nome completo: Beatriz de Oliveira Mesquita
  • Apelido: Bia
  • Nascimento: 7 de abril de 1991, Rio de Janeiro (Brasil)
  • Nacionalidade: Brasileira
  • Categoria: Peso leve (JJB), peso galo (MMA)
  • Linhagem: Carlos Gracie, Helio Gracie, Royler Gracie, Vini Aieta, Letícia Ribeiro
  • Graduação: Faixa preta (março de 2011, das mãos de Letícia Ribeiro)
  • Equipes: Gracie Humaitá (JJB), American Top Team (MMA, desde 2023)
  • Cartel no MMA: 8 vitórias, 0 derrotas (3-0 no UFC)

Dez títulos mundiais IBJJF na faixa preta, um recorde histórico registrado no Guinness World Records.
Um domínio longo, regular, sem verdadeiras falhas.
Mas, acima de tudo, um estilo que influenciou profundamente toda uma geração de praticantes.

Como Bia Mesquita começou no jiu-jitsu no Brasil?

Bia Mesquita começou no jiu-jitsu brasileiro aos 5 anos, em 1996, ao lado do irmão. Nascida em 7 de abril de 1991 no Rio de Janeiro, cresceu na cidade praiana de Saquarema, treinando na academia Vento Sul com o professor Luis Fernando. Aos 10 anos, já tinha conquistado três títulos estaduais e o campeonato brasileiro juvenil.

Um começo simples, uma paixão imediata

Muito cedo, os pais se tornaram seus maiores apoiadores. Como ela mesma contaria mais tarde: “Meus pais são as pessoas que mais me motivaram a continuar, principalmente no jiu-jitsu. Eles me incentivam muito, acreditam em mim mais do que eu mesma às vezes.”

Em paralelo ao JJB, a jovem Bia experimentou várias modalidades: judô a partir dos 9 anos, natação, depois luta livre esportiva aos 15 (com direito a um título estadual juvenil). As lesões recorrentes no joelho acabaram levando-a a abandonar o judô por volta dos 12 anos para se dedicar totalmente ao jiu-jitsu.

Os primeiros sinais de uma futura técnica

Desde muito cedo, um traço distintivo apareceu na pequena Bia e a diferenciou dos colegas de treino: ela não queria apenas “fazer a técnica” como lhe mostravam, de forma mecânica. Ela queria entender a técnica a fundo, nos mínimos detalhes.

Por que exatamente essa pegada funciona?
O que esse movimento provoca no adversário?
Como antecipar a próxima reação?
O que acontece se o adversário resistir de outro jeito?

Enquanto outras crianças treinavam no piloto automático, repetindo mecanicamente as sequências mostradas pelo professor, ela já buscava a lógica profunda do movimento. Queria entender os princípios que fazem uma técnica funcionar ou falhar. Ainda não era a futura campeã mundial que dominaria sua modalidade por uma década inteira. Mas já era uma futura técnica obsessiva, movida por uma curiosidade permanente pelos detalhes que separam um bom jiu-jitsu de um jiu-jitsu excelente.

Como a Gracie Humaitá e Letícia Ribeiro formaram Bia Mesquita?

Descoberta pelo professor Luis Fernando, Bia Mesquita entrou para a equipe Gracie Humaitá, na Tijuca, sob o comando da lendária Letícia Ribeiro. Em sua linhagem (Carlos Gracie, Helio Gracie, Royler Gracie, Vini Aieta, Letícia Ribeiro), ela integrou um sistema de altíssimo nível que transformou seu talento natural em método estruturado e reproduzível.

Uma escola de excelência técnica

Para uma jovem atleta em plena construção, foi uma virada decisiva. Aos poucos, ela passou de um ambiente local apaixonado para uma estrutura de elite, acostumada a formar campeãs mundiais. A Gracie Humaitá é um universo próprio, um sistema completo:

Rigor na organização diária.
Repetição infinita dos fundamentos técnicos.
Trabalho obsessivo nos detalhes que fazem a diferença.
Densidade de nível altíssima no tatame, todos os dias.

Nesse ambiente, não se formam apenas competidoras que acumulam títulos em torneios. Forjam-se metodicamente técnicas completas, capazes de entender os princípios fundamentais do jiu-jitsu, adaptar seu jogo e permanecer eficientes contra todos os perfis de adversárias. Para Bia Mesquita, era exatamente o ambiente estruturado de que ela precisava para desabrochar e dar um salto decisivo.

Uma evolução técnica metódica

Sob a supervisão de Letícia Ribeiro, Bia refinou seu jogo com paciência e método. Ela dissecou os ângulos, aprimorou as pegadas e desenvolveu aquele controle de distância tão particular que aos poucos se tornaria sua assinatura. Sua guarda aberta se transformou, etapa por etapa, num terreno ofensivo temível, que pouquíssimas mulheres da época dominavam nesse nível de sofisticação.

Sua mentalidade no treino era clara e direta: “Quando vou treinar, minha mentalidade é: você melhora a cada dia. Não importam as circunstâncias. Principalmente nos camps de preparação antes dos campeonatos.” Essa mentalidade de progressão constante se tornou a base do seu futuro domínio, tanto de kimono quanto no no-gi.

Jovem Bia Mesquita competindo jiu-jitsu brasileiro pela Gracie Humaitá

Ela recebeu a faixa marrom em junho de 2009 das mãos de Letícia Ribeiro, no pódio do Mundial, e a faixa preta em março de 2011, no Pan-Americano. Em 2012, conquistou seu primeiro título mundial IBJJF na faixa preta. Para o grande público, pareceu repentino. Mas para quem dividia o tatame com ela todos os dias, aquela conquista soou como uma evidência. Para entender o que cada graduação representa, veja nosso guia completo sobre as faixas no jiu-jitsu.

Para muitos observadores de fora, foi uma surpresa; para o seu círculo na Gracie Humaitá, foi apenas a confirmação lógica do que todos já sabiam.

Quantos títulos mundiais Bia Mesquita tem no jiu-jitsu?

Bia Mesquita detém o recorde histórico de 10 títulos mundiais IBJJF na faixa preta, feito reconhecido pelo Guinness World Records. Ela conquistou oito títulos no peso leve (2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2018, 2019, 2021) e dois no absoluto (2013 e 2014). Em 2022, foi incluída no Hall da Fama da IBJJF.

🏆 Conquistas de Bia Mesquita

  • 10× Campeã mundial IBJJF na faixa preta (recorde Guinness): 8× peso leve + 2× absoluto
  • 1× Campeã do ADCC (2017)
  • Hall da Fama da IBJJF (2022)
  • Campeã do EBI peso galo (grappling no-gi)
  • Campeã da LFA peso galo feminino no MMA (2025)
  • 8-0 no MMA profissional, com 3-0 no UFC (3 finalizações)

Fontes: perfil BJJ Heroes, IBJJF, UFC.

Adversárias de elite, ano após ano

No centro desse domínio, durante a década 2012-2021, Bia Mesquita enfrentou as melhores atletas de sua geração. Mackenzie Dern, o outro prodígio do jiu-jitsu feminino; Luiza Monteiro, completa e perigosa em todos os setores; Bianca Basilio, explosiva e imprevisível; Nathiely de Jesus, física e técnica ao mesmo tempo. E, claro, a incontornável Gabi Garcia, encarnação da potência bruta aplicada ao jiu-jitsu feminino.

Todo ano, o mesmo roteiro se repetia com uma regularidade impressionante.
Bia voltava ao Mundial.
Chegava às fases finais.
E mostrava que seu jiu-jitsu atravessava gerações, modas passageiras e novas tendências técnicas.

Uma constância excepcional no topo

Não foi um reinado efêmero, baseado num pico de forma momentâneo ou numa geração mais fraca de rivais. Foi uma continuidade impressionante: uma presença constante no topo, desafiando os ciclos habituais do esporte de alto nível, em que as campeãs se sucedem rapidamente. Nesse aspecto, ela se compara a figuras como Marcus “Buchecha” Almeida e suas 13 coroas mundiais.

Bia Mesquita competindo no Mundial IBJJF na faixa preta

Sua força mental nos momentos difíceis é um ingrediente-chave dos sucessos repetidos. Ela resume sua filosofia de forma muito simples: “O que mais me ajuda é a minha determinação. Nunca desistir, principalmente durante a luta. Não dá para parar ou desistir, em nenhum momento, em nenhuma situação. É só continuar em frente.” Essa resiliência psicológica, combinada à excelência técnica, faz dela uma adversária perigosa até o último segundo de cada luta.

O que também impressiona no seu cartel é que ela não dominou apenas a própria categoria de peso. Ela se impôs também no absoluto, contra adversárias bem mais pesadas e fisicamente imponentes. Mais uma vez, com uma técnica que absorve os ataques com inteligência, redireciona a força adversária com precisão e neutraliza a potência bruta com eficiência, ela provou de forma contundente que seu jiu-jitsu se sustenta diante de todos os desafios imagináveis.

Qual é o estilo de luta único de Bia Mesquita?

O estilo de Bia Mesquita se apoia numa guarda aberta excepcionalmente fluida e ofensiva. Guarda aranha, lasso e De la Riva se encadeiam em transições naturais, e não em posições estanques. Sua assinatura: um controle de distância milimétrico, pegadas sempre precisas e uma capacidade rara de transformar defesa em ataque via raspagens, triângulos, omoplatas e pegadas de costas.

Uma guarda aberta que constrói o ataque

O coração pulsante do jiu-jitsu de Bia Mesquita, aquele que verdadeiramente marcou a modalidade e inspirou milhares de praticantes pelo mundo, é sua guarda aberta excepcional.

Não é uma guarda que se sofre passivamente, esperando o adversário cansar.
É uma guarda com a qual ela constrói ativamente o próprio ataque.

Guarda aranha, lasso, De la Riva: para ela, não são posições técnicas separadas, aplicadas caso a caso segundo um manual. São transições fluidas que se encadeiam naturalmente umas nas outras, formando uma língua técnica completa que ela fala fluentemente há anos.

Sua guarda nunca é estática ou congelada numa única configuração. Ela respira, vive, se adapta em tempo real às menores reações do adversário. Às vezes, ela deixa deliberadamente uma porta aparentemente aberta para atrair a adversária a uma armadilha calculada. Depois, se reposiciona instantaneamente, com uma velocidade desconcertante. Criando um novo ângulo, ela surpreende pelo timing e ataca no momento exato em que a defesa relaxa. Ela não defende a posição mecanicamente: arma com inteligência uma rede invisível cujas malhas se fecham progressivamente em volta da adversária.

Suas pegadas são sempre precisas, nunca aproximadas.
Suas pernas controlam a distância crítica com precisão milimétrica.
E por trás dessa estrutura aparentemente simples, ela pode disparar de tudo: raspagens, triângulos, omoplatas, pegadas de costas.

Mesmo quando as adversárias “sabem” exatamente o que vai acontecer, mesmo depois de estudar seus vídeos por horas, elas não conseguem impedi-la de se expressar plenamente no tatame. Essa é toda a força de um sistema verdadeiramente dominado.

Capa do instrucional The World Championship Open Guard System de Bia Mesquita

🥋 Estudar essa guarda aberta com a Bia

Esse sistema exato — aranha, lasso, De la Riva e suas transições — a Bia transformou em instrucional: The World Championship Open Guard System (BJJ Fanatics, em inglês) — a guarda que lhe rendeu 10 títulos mundiais, explicada por ela mesma.

Transparência: link de afiliado — não muda o preço para você e apoia o BJJ-Rules.

Transições, controle e finalização: a continuidade perfeita

O grande segredo de Bia Mesquita, o que realmente a distingue das outras campeãs de sua época, não é uma técnica espetacular isolada que ela executaria melhor do que todo mundo. Também não é uma posição mágica que só ela entenderia.

É a continuidade absoluta do seu jogo.

Muitas atletas são excepcionalmente fortes numa zona técnica precisa: na guarda, na passagem ou no controle das costas. Elas brilham no seu domínio de predileção, mas sofrem fora dele. A Bia domina, acima de tudo, os entremeios insaisíveis — aquelas zonas nebulosas da luta em que tudo pode virar para qualquer lado.

Bia Mesquita jogando guarda aranha em competição de JJB

Nos momentos caóticos entre duas posições codificadas.
Nos instantes em que tudo pode pender para um lado ou para o outro.
Ela permanece perfeitamente calma e lúcida. Escolhe a opção ideal, se adapta na hora, antecipa a próxima reação.

Quando ela passa a guarda, é limpo e hermético. Quando pega as costas, é estável e bem travado. E quando ataca um armlock ou um estrangulamento pelas costas, é a conclusão lógica e inevitável de um trabalho de desgaste invisível, conduzido pacientemente por vários minutos.

Nada é forçado.
Nada fica ao acaso.

É jiu-jitsu “certo”, em toda a sua pureza técnica — na mesma linhagem de elegância de Roger Gracie, cuja simplicidade virou arte.

Contra quem Bia Mesquita fez suas maiores lutas?

Bia Mesquita enfrentou os maiores nomes do jiu-jitsu feminino moderno. Suas rivalidades marcantes incluem Mackenzie Dern (finalizada em 64 segundos em 2017), Luiza Monteiro (finalista do Mundial de 2021), Bianca Basilio (derrotada na final do EBI 2018) e Gabi Garcia, a encarnação da potência bruta diante da sua técnica.

Contra Mackenzie Dern: o duelo das técnicas

Duas técnicas ofensivas no auge da arte, duas inteligências notáveis de movimento e timing. Na época da rivalidade intensa entre as duas, cada encontro entre Bia Mesquita e Mackenzie Dern era aguardado pela comunidade mundial do jiu-jitsu como um choque de estilos de primeira grandeza. O momento mais marcante segue sendo o confronto de 2017 no Rio Falls Jiu Jitsu Open: Bia finalizou Dern em apenas 64 segundos, um resultado que caiu como um terremoto na comunidade.

Contra Gabi Garcia: técnica contra potência

Aqui, era o teste definitivo do jiu-jitsu brasileiro. Não apenas um teste esportivo de desempenho físico e condicionamento — quase um teste filosófico dos próprios fundamentos da modalidade popularizada pelos Gracie.

Técnica refinada contra potência física bruta.
Estratégia inteligente contra um físico avantajado.
Criatividade fluida contra força esmagadora.

Bia não venceu todas as lutas contra Gabi Garcia, longe disso. Ninguém pode pretender dominar sistematicamente uma adversária com tamanha vantagem física. Mas ela provou, várias vezes e de forma contundente, que a técnica perfeitamente dominada pode desacelerar, neutralizar parcialmente e às vezes até controlar uma adversária fisicamente fora do padrão.

Essas rivalidades intensas e midiáticas moldaram profundamente o jiu-jitsu feminino moderno. E mostraram ao mundo que o jiu-jitsu feminino podia produzir lutas tão técnicas, estratégicas e empolgantes quanto o masculino.

Qual legado Bia Mesquita deixa para o jiu-jitsu feminino?

O legado de Bia Mesquita vai muito além dos títulos individuais. Ela transformou a forma como as mulheres abordam a guarda aberta, provou que é possível dominar de forma duradoura pela técnica pura e quebrou a ideia de que o jiu-jitsu feminino tinha que ser explosivo ou baseado na força. Tornou-se um modelo técnico para toda uma geração de praticantes pelo mundo.

Hoje, quando uma jovem atleta de jiu-jitsu treina com aplicação sua guarda aranha numa academia de bairro, lapida com obsessão os ângulos da guarda aberta, encadeia transições fluidas entre posições ou desenvolve o próprio jeito de atacar as costas, é muito provável que ela esteja imitando — direta ou indiretamente, conscientemente ou não — o estilo inconfundível de Bia Mesquita.

Beatriz Bia Mesquita lenda do jiu-jitsu brasileiro feminino

Ela mudou profundamente a forma como as mulheres abordam a guarda aberta no jiu-jitsu moderno.
Mostrou de maneira irrefutável que é possível dominar de forma duradoura pela técnica pura.
E quebrou a ideia pré-concebida de que o jiu-jitsu feminino tinha que ser explosivo ou baseado principalmente na força física.

Para além do desempenho esportivo, Bia Mesquita carrega uma mensagem profunda sobre a acessibilidade do jiu-jitsu. Como ela gosta de lembrar: “O que é bonito no jiu-jitsu é que ele não trabalha só o corpo, mas também a mente. E é feito para todo mundo. Não importa a sua idade, o seu físico ou o seu nível. É para todo mundo.” Essa filosofia inclusiva, ela encarna através de um estilo técnico acessível e reproduzível, prova de que a inteligência do movimento pode compensar muitas desvantagens físicas.

Como Bia Mesquita entrou no MMA e no UFC?

Bia Mesquita anunciou sua transição para o MMA em abril de 2023. Entrou para a American Top Team em setembro de 2023 e emendou cinco vitórias, incluindo o título peso galo feminino da LFA em junho de 2025. Assinou com o UFC em 30 de julho de 2025 e segue invicta por lá: três vitórias em três lutas, todas por finalização, que a colocaram no ranking peso galo feminino do UFC.

Uma professora rigorosa e acessível

Como muitas grandes campeãs antes dela, Bia Mesquita também dedica boa parte do tempo ao ensino diário, às viagens internacionais e aos seminários técnicos pelo mundo. E faz isso exatamente com a mesma mentalidade rigorosa da competição: entender a fundo antes de executar mecanicamente.

Ela não tenta fabricar clones perfeitos de si mesma.
Ensina princípios universais do jiu-jitsu.
Mecânicas fundamentais que funcionam para todos.
Uma forma diferente de pensar o jogo e suas possibilidades.

Suas alunas e alunos descrevem, de forma unânime, uma professora notavelmente calma e centrada. Metódica na pedagogia, ela sempre toma o tempo necessário para explicar por que uma opção técnica funciona em determinado contexto, como prepará-la corretamente e em quais situações precisas ela se torna realmente eficaz. Ela também transmite a paciência que considera fundamental: “Aprendi a ter paciência, a continuar em frente, a manter o foco nos meus objetivos e simplesmente ir, ver até onde isso pode me levar.”

Bia Mesquita ensinando em seminário de jiu-jitsu brasileiro

A transição para o MMA: uma progressão metódica

Em abril de 2023, Bia Mesquita anunciou oficialmente que tinha assinado com a First Round Management. Alguns meses depois, em setembro de 2023, entrou para a American Top Team, uma das academias de MMA mais prestigiadas do mundo. A decisão deixou claro que ela não vinha “testar” o MMA pela metade — levou a sério desde o primeiro dia.

Bia fez sua estreia profissional no MMA em 15 de junho de 2024, no Spaten Fight Night, contra Jorgina Ramos. Venceu por finalização no primeiro round. O recado foi claro: seu jiu-jitsu de nível mundial se traduz perfeitamente para o cage.

Uma campanha imaculada na LFA antes do UFC

Em seguida, Bia emendou uma campanha impressionante na Legacy Fighting Alliance (LFA), organização reconhecida como grande trampolim para o UFC:

18 de outubro de 2024, LFA 194: vitória por finalização no primeiro round sobre Shannel Butler.
7 de dezembro de 2024, LFA 198: vitória por finalização no segundo round sobre Fernanda Araujo.
6 de março de 2025, LFA 203: vitória por desqualificação no segundo round sobre Hope Chase.
20 de junho de 2025, LFA 211: vitória por TKO no segundo round sobre Sierra Dinwoodie, conquistando o cinturão vago peso galo feminino da LFA.

Cinco lutas. Cinco vitórias. Um cinturão da LFA. Tudo em pouco mais de um ano. Logicamente, essa campanha chamou a atenção da organização mais prestigiada do mundo.

Bia Mesquita campeã peso galo da LFA no MMA

A chegada de Bia Mesquita ao UFC: estreia avassaladora

Em 30 de julho de 2025, saiu o anúncio: Bia Mesquita tinha assinado com o Ultimate Fighting Championship. Para muitos praticantes de jiu-jitsu, ver uma lenda do grappling puro entrar na organização de luta mais prestigiada do mundo foi um momento simbólico muito forte.

Uma das maiores técnicas do jiu-jitsu feminino moderno inscreveu seu nome no elenco do UFC.

Sua estreia no UFC aconteceu em 11 de outubro de 2025, no UFC Fight Night 261, contra Irina Alekseeva. Bia entregou exatamente a luta que todos esperavam dela: uma aula de grappling de alto nível, concluída com um mata-leão no segundo round. A atuação lhe rendeu de imediato o bônus de “Performance of the Night”.

Três lutas no UFC, três finalizações

Em 16 de março de 2026, no UFC Fight Night 269, Bia emendou uma segunda vitória contundente sobre Montserrat Rendon — de novo por mata-leão, desta vez logo no primeiro round. Em abril de 2026, entrou no ranking peso galo feminino do UFC na 15ª posição.

20 de junho de 2026, no UFC Vegas 119, ela enfrentou Melissa Mullins — e viveu o momento mais quente de sua jovem carreira no MMA. Atingida em cheio por um cruzado de esquerda no início do primeiro round, absorveu uma sequência de golpes que poderia ter mudado tudo. Mas, fiel à sua filosofia de “nunca desistir”, puxou Mullins para a guarda, recuperou a lucidez e travou um armlock aos 3min16 do primeiro round. Três lutas no UFC, três finalizações: seu cartel no MMA subiu para 8 vitórias e 0 derrotas, e a escalada rumo ao top 10 continua.

Uma bagagem técnica única para o MMA

Bia Mesquita chegou ao UFC com uma bagagem técnica absolutamente única.

  • Uma base de elite no grappling, forjada por mais de quinze anos no mais alto nível,
  • Dez títulos mundiais IBJJF na faixa preta (recorde Guinness),
  • Uma inteligência tática excepcionalmente rara,
  • Uma compreensão profunda das transições entre posições.

Seu jiu-jitsu, que dominou os tatames por mais de dez anos, vira uma ameaça temível assim que a luta chega ao chão. Na maioria dos cenários em que o combate termina no solo, pouquíssimas lutadoras podem realmente sonhar em rivalizar com ela na técnica pura — o jogo de guarda é o quintal dela.

Como ela sempre repetiu: “Não dá para desistir nunca. Em nenhuma situação, em nenhum momento. Tem que continuar em frente.” Essa mentalidade, que a levou ao topo do jiu-jitsu mundial, se confirmou da forma mais bonita contra Mullins: abalada em pé, vitoriosa no chão.

Sua chegada ao UFC não é apenas um novo capítulo pessoal na carreira. É um momento simbólico para todo o jiu-jitsu feminino mundial.

Bia Mesquita lutadora peso galo feminino do UFC
Capa do instrucional The World Championship No Gi Guard System de Bia Mesquita

🥋 A guarda da Bia, versão cage

A guarda que se vê em ação no octógono é a versão sem kimono do sistema dela: The World Championship No Gi Guard System (BJJ Fanatics, em inglês) — pegadas, ganchos e finalizações adaptados ao no-gi e ao MMA.

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FAQ: tudo sobre Bia Mesquita

Encontre aqui as respostas às perguntas mais frequentes sobre Bia Mesquita: sua trajetória, suas conquistas, seu estilo e sua carreira atual no UFC.

Quem é Bia Mesquita no jiu-jitsu brasileiro?

Bia Mesquita, nascida Beatriz de Oliveira Mesquita em 7 de abril de 1991 no Rio de Janeiro, é uma competidora brasileira de jiu-jitsu que detém o recorde mundial de 10 títulos IBJJF na faixa preta (reconhecido pelo Guinness). Faixa preta desde 2011 sob Letícia Ribeiro (Gracie Humaitá), é considerada uma das maiores técnicas do JJB feminino.

Quantos títulos mundiais Bia Mesquita conquistou?

Bia Mesquita detém dez títulos mundiais IBJJF na faixa preta, conquistados entre 2012 e 2021: oito no peso leve (2012-2016, 2018, 2019, 2021) e dois no absoluto (2013, 2014). O recorde é oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records. Em 2022, ela entrou para o Hall da Fama da IBJJF.

Qual é o estilo de Bia Mesquita?

Seu estilo se apoia numa guarda aberta excepcionalmente fluida, misturando guarda aranha, lasso e De la Riva em transições naturais. Sua assinatura: controle de distância milimétrico, pegadas sempre precisas e continuidade perfeita entre defesa e ataque. Ela prioriza a finalização (raspagens, triângulos, omoplatas, mata-leões) em vez dos pontos.

Quem é a treinadora de Bia Mesquita?

Bia Mesquita treina desde a adolescência com Letícia Ribeiro, lenda do jiu-jitsu feminino, na equipe Gracie Humaitá, na Tijuca (Rio de Janeiro). Sua linhagem de faixa preta passa por Carlos Gracie, Helio Gracie, Royler Gracie, Vini Aieta e Letícia Ribeiro. Desde 2023, ela também treina na American Top Team para a carreira no MMA.

Qual é o cartel atual de Bia Mesquita no MMA?

Bia Mesquita tem um cartel perfeito de 8 vitórias e 0 derrotas no MMA profissional. São 3 vitórias em 3 lutas no UFC, todas por finalização: Irina Alekseeva (mata-leão, outubro de 2025), Montserrat Rendon (mata-leão, março de 2026) e Melissa Mullins (armlock no primeiro round, junho de 2026 no UFC Vegas 119).

Qual foi a última luta de Bia Mesquita no UFC?

Em 20 de junho de 2026, no UFC Vegas 119 (Las Vegas), Bia Mesquita venceu Melissa Mullins por armlock aos 3min16 do primeiro round. Abalada por um cruzado de esquerda no início da luta, ela virou o jogo de dentro da própria guarda — sua terceira finalização em três lutas no UFC, que elevou seu cartel a 8-0 e confirmou a escalada rumo ao top 10 dos galos.

Por que Bia Mesquita é considerada uma lenda?

Bia Mesquita é considerada uma lenda por várias razões: o recorde Guinness de 10 títulos mundiais IBJJF, o domínio de uma década (2012-2021), a entrada no Hall da Fama da IBJJF (2022), a influência no estilo de jogo de toda uma geração de praticantes e, agora, a transição bem-sucedida para o UFC com um cartel perfeito.

Conclusão: uma elegância que marcou a história do jiu-jitsu

Bia Mesquita nunca apostou no hype midiático fácil, nas declarações bombásticas calculadas para viralizar ou no espetáculo pelo espetáculo. Ao contrário, construiu pacientemente uma carreira excepcional e coerente, fundada numa precisão técnica irrepreensível e numa fluidez natural de movimento.

Um jiu-jitsu esteticamente bonito, mas acima de tudo temivelmente eficiente.
Depurado na expressão, mas nunca frágil diante da adversidade.
Técnico na essência, mas sempre perfeitamente realista.

Ela encarna uma verdade que todo praticante de jiu-jitsu acaba entendendo, mais cedo ou mais tarde, ao longo da jornada nos tatames: a técnica perfeitamente executada, compreendida a fundo e aplicada com inteligência tática sempre triunfa no longo prazo.

Sua mensagem resume perfeitamente sua filosofia de vida e de luta: “Tem que manter a esperança, manter o foco no que é importante para a gente, nos nossos objetivos, e simplesmente ir. Ver até onde isso nos leva.” Essa abordagem, humilde e determinada ao mesmo tempo, levou Beatriz Mesquita ao topo absoluto da modalidade — e agora ao mais alto nível do MMA.

E em toda a história do jiu-jitsu feminino, raras são as que encarnaram essa verdade eterna com tanta naturalidade, domínio técnico e elegância inspiradora quanto Beatriz “Bia” Mesquita.

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Dylan Galea é o fundador do BJJ-Rules. Faixa roxa e apaixonado pelo Jiu-Jitsu Brasileiro, criou o BJJ-Rules para ser a voz do JJB na comunidade francófona: regras da IBJJF explicadas, técnicas, perfis de atletas e história da arte suave.

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