Freddy Lele Talla, Campeão Europeu IBJJF 2026
Por BJJ-Rules | 22-23 de janeiro de 2026 | Pavilhão Multiusos de Odivelas, Lisboa, Portugal Um ano de redenção Um ano atrás, Freddy Lele Talla saiu dessa mesma arena com uma derrota e a cabeça cheia...

Por BJJ-Rules | 22-23 de janeiro de 2026 | Pavilhão Multiusos de Odivelas, Lisboa, Portugal
Table Of Content
- Um ano de redenção
- Um ano de trabalho, uma fé inabalável
- Um profissional num esporte de amadores
- A quartas de final: a grande final antes da hora
- A semifinal: quando o corpo diz para e a mente diz não
- A final: não ser mais um francês que perdeu pra brasileiro
- No nono céu — com os pés no chão
- O que esse título diz sobre o jiu-jitsu francês
- O vídeo: nos bastidores do título
- Conclusão
Um ano de redenção
Um ano atrás, Freddy Lele Talla saiu dessa mesma arena com uma derrota e a cabeça cheia de dúvidas. Questões existenciais de verdade sobre seu lugar nesse esporte, sobre sua capacidade de alcançar os objetivos que traçou para si. Um ano depois, ele sai com uma medalha de ouro no pescoço e a serenidade de quem sabe exatamente o quanto valem seus sacrifícios.
Campeão Europeu IBJJF 2026 na faixa roxa, categoria Heavy (-94,3 kg). O franco-camaronês de 23 anos continua escrevendo uma das histórias mais bonitas do jiu-jitsu francês contemporâneo.

Um ano de trabalho, uma fé inabalável
No mini-documentário que compartilhou em seu canal do YouTube, Freddy faz um balanço do ano com uma franqueza desarmante. Depois do Mundial 2025 e de uma eliminação frustrante nas quartas de final por punição, a faixa roxa trouxe uma pressão nova — a de confirmar depois de um título mundial na faixa azul.
« Acabei de passar para a faixa roxa. Tinha muita pressão nos meus ombros porque tinha acabado de ganhar o campeonato mundial. Estava começando a me fazer um nome no cenário internacional. Então sentia a pressão porque queria confirmar. »
Sua resposta a essa pressão? Nem fuga nem negação. Freddy encontrou seu equilíbrio na fé — um fio condutor constante em tudo que ele diz, assumido sem rodeios.
« Pela fé, entendi que independente de ganhar ou perder, Deus tinha um plano maravilhoso pra mim. Isso me ajudou muito a encontrar minha paz, a realmente tentar curtir a competição. »
Na prática, essa serenidade reencontrada se traduziu em resultados: uma vitória no World Pro em Abu Dhabi algumas semanas antes dos Europeus. Freddy chegou a Lisboa confiante, não desesperado.
Um profissional num esporte de amadores
Antes mesmo de falar dos combates, o documentário entrega algo raro: o olhar de quem convive com Freddy no dia a dia. E o que eles descrevem é uma abordagem que se destaca no cenário do jiu-jitsu francês.
Seu coach Guillaume Piquet não poupa palavras:
« Freddy é um profissional num esporte de amadores. Ele não deixa nada ao acaso. Tudo é milimetrado, tudo é calibrado para que ele tenha sucesso. Ele tem essa ambição real de vencer e se dá todos os meios para chegar lá. »
Seu outro coach, Olivier Michailesco, destaca as qualidades físicas:
« Desde que chegou, ele começou a fazer bastante preparação física e a progressão foi imediata. É forte, atlético, dinâmico. »
O parceiro de treino Nacim Adelin fala sobre o que mais o inspira em Freddy:
« Apesar do cansaço, apesar de todos os treinos e do volume da semana, é sempre ele que está nos motivando. Várias vezes fui deitar num canto depois de um sparring ruim — e ele sempre está lá empurrando os companheiros. »
Bilel Bensaid, vencedor do Nova GP 2026 e parceiro de treino, completa o quadro:
« A exigência que ele tem consigo mesmo é impressionante. Ele corrige tudo que não funciona — técnica, mental — pergunta pra todo mundo. É como uma esponja seca absorvendo todo o conhecimento de que precisa. »

A quartas de final: a grande final antes da hora
No tatame, o caminho de Freddy até o título não foi nada tranquilo. As quartas de final ficam na memória como o momento decisivo de toda a competição.
Do outro lado: um adversário que ele conhece bem, irmão de um grande nome do jiu-jitsu mundial, faixa roxa há três anos e campeão do World Pro de Abu Dhabi na categoria acima durante o mesmo torneio. Freddy o via claramente como o maior desafio da chave.
« Era a grande final antes da hora. Sabia que ia ser a luta mais difícil da competição. »
O combate é exatamente isso — intenso, técnico, duro. Freddy pontua numa passagem de guarda mas o adversário volta. A 2-2, com Freddy na frente por vantagem, tudo quase desmorona nos últimos segundos quando o adversário consegue uma raspagem.
« Quando ele me raspa, na minha cabeça aparecem várias vozes. A primeira diz: “Tudo bem, Freddy. Pelo menos você perdeu pra um cara forte.” »
Ele não escuta. Pensa nos treinos, nos sacrifícios, e vai pra cima. A mesa de arbitragem delibera — a raspagem conta? A revisão de vídeo decide: sem pontos. Oito segundos restantes. Freddy segura. Semifinal garantida!
Na beira do tatame, Mathias Jardin, coach da seleção francesa de JJB (CFJJB), não afrouxa: « Mais uma luta. Não acabou. » Na arquibancada, David Giorsetti, presidente da CFJJB, incentiva. O jiu-jitsu francês está ali, unido em torno de um dos seus.
A semifinal: quando o corpo diz para e a mente diz não
Se as quartas foram uma guerra mental, a semifinal adiciona uma dimensão física brutal. O tornozelo de Freddy cede numa tentativa de calf slicer do adversário — duas vezes.
« Se você assistir bem o vídeo, dá pra ver que meu ligamento saiu. Ele puxou uma vez, estralou. Puxou de novo. Estralou de novo. »
Nesse momento, duas opções. Voltar pra casa com o bronze. Ou continuar.
Freddy continua. Seu adversário, cujo calf slicer — sua melhor técnica — acabou de falhar duas vezes seguidas, começa a desmoronar mentalmente. Freddy sente, mantém a pressão, toma uma vantagem decisiva e administra o tempo restante.
Final garantida!

A final: não ser mais um francês que perdeu pra brasileiro
Na final, Freddy encontra Jhonatan Motta da Silva, faixa roxa da DreamArt — adversário brasileiro de alto nível. E é exatamente esse contexto que multiplica sua motivação.
« Não queria ser mais um francês que perdeu pra brasileiro. Tem franceses que são muito bons embaixo, mas quando chegam contra os brasileiros fortes, levam a melhor. Não queria ser isso. »
Logo no início da final, Freddy se instala na posição favorita — o single-X. Abre seu jogo embaixo com a confiança de quem está no próprio elemento. Uma tentativa de pegar as costas, uma raspagem decisiva, e o placar pende definitivamente para o seu lado.
As pernas estão travando depois de quatro guerras intensas. A cabeça está limpa.
« No momento em que consegui colocá-lo no single-X, todo mundo gritou porque as pessoas sabem que é minha posição. Levantei a cabeça, vi meu irmão Bilel me fazendo assim: “Levanta, levanta.” Boom — me levantei e o joguei pra cima. »
Campeão Europeu.
Wesley Lele Talla, irmão de Freddy — cuja presença nas arquibancadas descobrimos nesse documentário — resume o que muitos sentiam naquele momento: « Quando vi que Freddy estava na final, sabia que estava feito. Final é coisa que se ganha no coração. E Freddy sempre teve coração. »
No nono céu — com os pés no chão
O que chama atenção no depoimento de Freddy depois do título é a ausência total de triunfalismo. Sem show, sem pose. Só a consciência do que esse momento representa depois de tudo que veio antes.
« Tem tanto sacrifício por trás disso, tantos momentos de dúvida, momentos em que você pensa que nunca vai conseguir. Quando você ganha, você está nas nuvens. É realmente incrível. »
Ele agradece seus coaches Guillaume Piquet e Olivier Michailesco, seus parceiros de treino do VKG e da MK Team, Mathias Jardin e David Giorsetti pela presença em Lisboa, e seu irmão Wesley. Mas antes de tudo, a fé.
« Meu primeiro suporte é Deus. Os treinos duros, as lesões, os momentos em que você vê menos a família — sem Deus, seria muito, muito difícil. »
Esse título europeu não é uma linha de chegada. « Isso me deu vontade de treinar ainda mais para continuar fazendo isso. » A caçada continua.
O que esse título diz sobre o jiu-jitsu francês
Além da história individual, a vitória de Freddy Lele Talla manda um recado claro sobre o estado do jiu-jitsu francês. Um atleta formado na França, cercado de coaches franceses, capaz de bater um finalista brasileiro num Campeonato Europeu IBJJF na faixa roxa — isso não é pouca coisa.
A presença de Mathias Jardin, David Giorsetti e Bilel Bensaid ao lado de Freddy em Lisboa também diz algo: o jiu-jitsu francês está se estruturando, se unindo, e começando a pesar nas competições internacionais. Não é mais uma comunidade que assiste os outros ganharem!
Freddy representa uma nova geração: multicultural, profissional na abordagem, conectada aos melhores recursos do mundo — ele se preparou para o Mundial 2025 com Rubens Charles “Cobrinha” Maciel — mas enraizada nos clubes franceses. Seu impacto no ambiente de treino do VKG já é visível. Ele não vence só por ele.
O vídeo: nos bastidores do título
O mini-documentário que acompanha essa competição vale cada minuto. Acompanhamos Freddy desde suas intenções iniciais até o momento do título, com os depoimentos de Guillaume Piquet, Olivier Michailesco, Nacim Adelin e Bilel Bensaid — e a descoberta de Wesley, o irmão de Freddy, nas arquibancadas. Um conteúdo ainda raro no cenário do JJB francês, e a gente aprecia!
Conclusão
Um ano atrás, Freddy Lele Talla deixou Lisboa se perguntando se era realmente feito para esse esporte. Este ano, ele sai como Campeão Europeu. A resposta está no tatame.
A busca pela perfeição continua. E aos 23 anos, com um título mundial na faixa azul, um World Pro e agora um título europeu na faixa roxa, Freddy está só no começo do que tem a mostrar. A gente vai estar aqui pra contar!
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Leia nosso primeiro perfil do Freddy: Freddy Lele Talla: Mundial 2025 e a Busca pela Perfeição
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